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Trabalhadores comerciários de todo o país realizam caminhada histórica em Caxias do Sul pelo fim da escala 6×1

Uma grande caminhada pelas ruas centrais de Caxias do Sul marcou o encerramento do 1º Encontro Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Comércio e Serviços da CTB. Realizado entre os dias 25 e 27 de fevereiro, o encontro reuniu mais de 200 representantes sindicais de todo o Brasil na Serra Gaúcha e consolidou a defesa do fim da escala 6×1 como prioridade nacional da categoria.

A mobilização teve início no final da manhã desta sexta-feira (27), com saída da sede do Sindicomerciários Caxias — local onde ocorreram os debates e painéis do encontro — e percorreu as principais ruas do centro da cidade. Com bandeiras, faixas e palavras de ordem, os manifestantes dialogaram com comerciários, trabalhadores do setor de serviços e a população, denunciando os impactos da jornada exaustiva e defendendo mais tempo para viver.

O ato público expressou a unidade construída ao longo dos três dias de debates e reafirmou que a luta pela redução da jornada é hoje uma das principais bandeiras da classe trabalhadora brasileira.

Para o presidente da FECOSUL-RS, Guiomar Vidor, o fim da escala 6×1 representa uma mudança estrutural na qualidade de vida dos trabalhadores. “Não estamos falando apenas de organização da jornada, mas de saúde, de convivência familiar e de dignidade. O Brasil precisa avançar para a jornada de 40 horas semanais sem redução salarial. O desenvolvimento econômico não pode continuar sendo sustentado pelo esgotamento físico e mental de quem trabalha”, afirmou.

Já o presidente do Sindicomerciários Caxias, Nilvo Riboldi Filho, destacou o simbolismo de Caxias do Sul sediar o encontro e a caminhada. “A mobilização nas ruas mostra que essa pauta saiu das salas de debate e ganhou o coração da categoria. A cidade sentiu a força dos trabalhadores organizados. O fim da escala 6×1 é uma reivindicação concreta de quem quer viver com mais equilíbrio e respeito.” Nilvo também reafirmou o apoio da classe trabalhadora ao Projeto de Lei da deputada federal Daiana Santos (PL 67/2025) que estabelece o fim da escala 6×1 e a redução da jornada para 40 horas sem redução dos salários, também com a adoção da escala 5×2, com dois dias consecutivos de folga.

O presidente do Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro, Marcio Ayer, reforçou o caráter nacional da luta. “O que vimos aqui é a construção de uma agenda unificada do comércio e serviços em todo o país. A escala 6×1 é um modelo ultrapassado, que adoece e precariza. Vamos ampliar essa mobilização nos estados e pressionar o Congresso Nacional para que avance na redução da jornada.”

Carta de Caxias do Sul consolida resoluções

Como resultado do encontro, foi aprovada a “Carta de Caxias do Sul: Pela dignidade, saúde e reconquista de direitos dos trabalhadores e trabalhadoras do comércio e serviços”, documento que sistematiza as principais resoluções políticas da categoria .

Entre os pontos centrais aprovados estão:

• Fim imediato da escala 6×1, com apoio ao Projeto de Lei nº 67/2025, que estabelece jornada máxima de 40 horas semanais, sem redução salarial, e a adoção da escala 5×2;

• Implementação rigorosa da nova NR-1, com inclusão obrigatória dos riscos psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais, enfrentando o adoecimento mental no trabalho;

• Revogação integral da reforma trabalhista de 2017, considerada responsável pela ampliação da precarização, do trabalho intermitente e da pejotização;

• Defesa do uso da tecnologia como instrumento de libertação, e não de controle e intensificação da exploração;

• Fortalecimento da luta política, com a eleição de uma bancada comprometida com os direitos da classe trabalhadora.

O documento afirma que o fim da escala 6×1 “só será real com a efetiva redução da jornada” e rejeita qualquer tentativa de concentrar 44 horas em cinco dias úteis, o que ampliaria o desgaste físico e mental dos trabalhadores .

Ao final da caminhada, os participantes reafirmaram que o movimento seguirá mobilizado em todo o país. O encontro, além de histórico, consolidou uma agenda nacional de luta e apontou para um novo ciclo de organização no setor de comércio e serviços da CTB.

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Sintratel-RS denuncia precarização e cobra piso nacional em audiência no Senado sobre regulamentação do telemarketing

“Desenvolvimento econômico e dignidade humana não são valores opostos”. Foi com essa afirmação que a presidente do Sintratel-RS, Crislaine Carneiro, marcou sua participação na audiência pública da Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado, que debateu a regulamentação da profissão de operador de telemarketing e a criação de um piso salarial nacional para a categoria.

Mesmo à distância, por motivo de força maior que a impediu de estar presencialmente em Brasília – como era sua intenção -, Crislane fez uma intervenção firme e política, defendendo que o Congresso Nacional tem diante de si uma decisão histórica para mais de 1,4 milhão de trabalhadores e trabalhadoras no Brasil.

Durante sua fala, a dirigente denunciou o que classificou como prática recorrente de dumping social no setor. Segundo ela, “determinadas empresas estruturam os seus modelos de negócio com base na redução artificial dos custos e por meio sistemático de fragilização dos direitos fundamentais”, criando um ambiente marcado pela precarização e pela vulnerabilidade.

Crislaine também chamou atenção para o perfil social da categoria. “Nós estamos falando de uma categoria em um setor que produz em escala concentrada uma desigualdade estrutural de gênero, raça, classe e sexualidade do país”, afirmou. A maioria dos trabalhadores do telemarketing é composta por mulheres, pessoas negras e integrantes da comunidade LGBTQIA+, grupos que, segundo ela, enfrentam jornadas exaustivas, vigilância excessiva e alto índice de adoecimento, incluindo casos de burnout e sofrimento psíquico.

A audiência foi realizada por iniciativa do senador Paulo Paim, relator do PLS 447/2016, que trata da regulamentação da profissão e da criação de um piso salarial nacional. O projeto, originado de sugestão legislativa da própria categoria, já foi aprovado na Comissão de Direitos Humanos e agora avança no debate dentro do Senado.

Ao encerrar sua participação, a presidente do Sintratel-RS reforçou que a aprovação do projeto representa mais do que um reajuste salarial: trata-se de garantir dignidade frente à precarização histórica do setor e aos impactos crescentes da automação e da inteligência artificial.

Para o Sintratel-RS, o debate no Senado representa um passo importante em uma luta que se arrasta há anos e que envolve o reconhecimento, a valorização e a proteção de uma categoria essencial para o funcionamento de inúmeros serviços no país.

Deputada Daiana Santos na Comissão do Trabalho (Foto: Richard Silva/PCdoB na Câmara)

Projeto de Daiana Santos pelo fim da escala 6×1 ganha força e será votado em março

A Comissão do Trabalho da Câmara dos Deputados vai votar no dia 11 de março o projeto de lei (67/2025), de autoria da deputada Daiana Santos (PCdoB-RS), que reduz a jornada de trabalho das atuais 44 para 40 horas semanais e institui a escala 5×2, em substituição a 6×1 (seis dias de trabalho para um de descanso).

“Só para ninguém ser pego de surpresa, vamos pautar o projeto de lei de autoria da deputada Daiana e que foi relatado pelo deputado Leo Prates (PDT-BA) em relação à queda da 6×1”, anuncia o deputado Max Lemos (PDT-RJ), eleito nesta quarta-feira (25) presidente do colegiado.

O parlamentar considera que a proposta está madura para ser votada em que pese o fato de o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), ter encaminhado para o debate uma proposta de emenda à Constituição (PEC).

“Nós vamos tocar o rito normal. Tem aqui um projeto de lei que está maduro. O que nós vamos fazer é dar mais uma semana para bate-papo sobre esse tema e colocar isso em pauta”, diz.

Ao agradecer o novo presidente da comissão, Daiana lembra que a proposta consumiu “um ano de trabalho árduo” envolvendo articulações e debates em nível nacional com diversos setores e o Fórum das Centrais Sindicais.

“Ouvimos tanto os movimentos sindicais quanto a sociedade para fazer uma construção justa de todos os lados. É um projeto que se mostra cada vez mais urgente e necessário e está maduro. Falo isso considerando que o próprio governo federal já tem se mobilizado e apresentado essa alternativa das 40 horas sem nenhuma redução salarial e daquilo que o trabalhador já tem como garantia”, afirma.

Daiana destaca ainda que o projeto foi “construído a muitas mãos e muitas mentes” para dar conta de uma necessidade urgente do trabalhador. “Acho que essa Casa ganha muito a partir do momento que a gente se debruça sobre um tema que é unânime na nossa sociedade”, observa.

Ela ressalta que diversos setores da economia do país já estão reduzindo a jornada e acabando com a escala, a exemplo de um Atacadão em Brasília, e empresas de Pelotas (RS), do interior de São Paulo e do Rio de Janeiro.

“Essa redução já está acontecendo em grandes redes varejistas, atacadistas, supermercados e no comércio em geral. Se isso já está acontecendo, nossa responsabilidade é transformar em legislação. O projeto está maduro”, justifica.

O vice-líder do governo no Congresso, Daniel Almeida (PCdoB-BA), parabenizou Lemos por pautar o projeto de Daiana e diz que a sociedade e os trabalhadores esperam por uma deliberação do parlamento.

“O lugar apropriado para continuar tratando desse assunto, e o melhor caminho, é esta Comissão do Trabalho”, avalia.

Relator

Nesta terça-feira (24), Hugo Motta designou o deputado Paulo Azi (União-BA) para relatar na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) as PECs sobre o assunto, uma da deputada Erika Hilton (Psol-SP) e a outra do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG).

Caso sejam aprovados, os textos serão analisados por uma comissão especial e, depois, pelo plenário da Câmara dos Deputados. Os projetos podem ser apensados para tramitarem juntos.

Motta já sinalizou que quer avançar com os debates e entregar um projeto para o Senado antes de maio. A programação dele foi lida como uma possível promulgação do texto no Dia do Trabalhador, 1º de maio.

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Dirigentes participam de debate sobre saúde do trabalhador no Encontro Nacional de Trabalhadores do Comércio

A diretora do Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro, Daniele Moretti, o secretário-geral da Fecosul, Fernando Lemos, a psicóloga Sâmia Ciliato, o gerente regional do Ministério do Trabalho em Caxias do Sul, Vanius Corte, o professor e pesquisador Rodrigo Ribeiro e o juiz do Trabalho Dr. Marcelo Porto participaram do debate sobre saúde do trabalhador no segundo dia do 1º Encontro Nacional de Trabalhadores de Comércio e Serviços da CTB.

O segundo dia do encontro foi marcado por uma ampla discussão sobre saúde e prevenção no ambiente de trabalho. A primeira debatedora, Sâmia Ciliato, psicóloga com foco em Gestão de Pessoas e Psicologia Organizacional, destacou a importância da Norma Regulamentadora 1 (NR-1), que estabelece diretrizes gerais de segurança e saúde no trabalho. Ela chamou atenção para os cuidados com a saúde mental e a necessidade de ações permanentes de prevenção dentro das empresas.

Na mesma linha, Vanius Corte reforçou a relevância da NR-1 para a proteção dos trabalhadores e alertou que o setor empresarial tem pressionado por novo adiamento da entrada em vigor da norma. Segundo ele, os números são alarmantes: em 2025 foram registrados 760 mil acidentes de trabalho no país, além de mais de 4,1 milhões de benefícios concedidos pelo INSS por incapacidade temporária. “Não dá pra admitir ambiente de trabalho que causa problemas de saúde ou morte, eles devem ser seguros e saudáveis”, afirmou.

O professor e pesquisador Rodrigo Ribeiro apresentou um estudo baseado em denúncias feitas por trabalhadores do Rio de Janeiro ao sindicato da categoria nos anos de 2024 e 2025. Ao todo, foram 2.225 denúncias no período, retratando conflitos, violações de direitos e insatisfação no ambiente laboral. Entre os principais problemas apontados estão o trabalho aos domingos e feriados, jornadas prolongadas e o calor excessivo na capital fluminense.

Encerrando as exposições, o juiz do Trabalho Dr. Marcelo Porto relatou casos de trabalhadores que adoeceram em decorrência das condições de trabalho. “As pessoas estão trabalhando doentes, estão adoeA diretora do Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro, Daniele Moretti, o secretário-geral da Fecosul, Fernando Lemos, a psicóloga Sâmia Ciliato, o gerente regional do Ministério do Trabalho em Caxias do Sul, Vanius Corte, o professor e pesquisador Rodrigo Ribeiro e o juiz do Trabalho Dr. Marcelo Porto participaram do debate sobre saúde do trabalhador no segundo dia do 1º Encontro Nacional de Trabalhadores de Comércio e Serviços da CTB.

O segundo dia do encontro foi marcado por uma ampla discussão sobre saúde e prevenção no ambiente de trabalho. A primeira debatedora, Sâmia Ciliato, psicóloga com foco em Gestão de Pessoas e Psicologia Organizacional, destacou a importância da Norma Regulamentadora 1 (NR-1), que estabelece diretrizes gerais de segurança e saúde no trabalho. Ela chamou atenção para os cuidados com a saúde mental e a necessidade de ações permanentes de prevenção dentro das empresas.

Na mesma linha, Vanius Corte reforçou a relevância da NR-1 para a proteção dos trabalhadores e alertou que o setor empresarial tem pressionado por novo adiamento da entrada em vigor da norma. Segundo ele, os números são alarmantes: em 2025 foram registrados 760 mil acidentes de trabalho no país, além de mais de 4,1 milhões de benefícios concedidos pelo INSS por incapacidade temporária. “Não dá pra admitir ambiente de trabalho que causa problemas de saúde ou morte, eles devem ser seguros e saudáveis”, afirmou.

O professor e pesquisador Rodrigo Ribeiro apresentou um estudo baseado em denúncias feitas por trabalhadores do Rio de Janeiro ao sindicato da categoria nos anos de 2024 e 2025. Ao todo, foram 2.225 denúncias no período, retratando conflitos, violações de direitos e insatisfação no ambiente laboral. Entre os principais problemas apontados estão o trabalho aos domingos e feriados, jornadas prolongadas e o calor excessivo na capital fluminense.

Encerrando as exposições, o juiz do Trabalho Dr. Marcelo Porto relatou casos de trabalhadores que adoeceram em decorrência das condições de trabalho. “As pessoas estão trabalhando doentes, estão adoecendo pela pressão, necessidade de bater metas, relações tóxicas, ansiedade. Dentro das empresas, as Cipas podem ter um papel importante, com um poder de fiscalização muito grande”, explicou.

A mesa foi coordenada por Daniele Moretti e Fernando Lemos, que conduziram o debate com a participação dos cerca de 160 dirigentes sindicais presentes.

O 1º Encontro Nacional de Trabalhadores de Comércio e Serviços da CTB, iniciado na quarta-feira, segue até esta sexta-feira (27), em Caxias do Sul (RS), reunindo representantes de todo o país para debater os principais desafios da categoria.cendo pela pressão, necessidade de bater metas, relações tóxicas, ansiedade. Dentro das empresas, as Cipas podem ter um papel importante, com um poder de fiscalização muito grande”, explicou.

A mesa foi coordenada por Daniele Moretti e Fernando Lemos, que conduziram o debate com a participação dos cerca de 160 dirigentes sindicais presentes.

O 1º Encontro Nacional de Trabalhadores de Comércio e Serviços da CTB, iniciado na quarta-feira, segue até esta sexta-feira (27), em Caxias do Sul (RS), reunindo representantes de todo o país para debater os principais desafios da categoria.

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Caxias do Sul sedia o 1º Encontro Nacional de Trabalhadores de Comércio e Serviços da CTB

Durante os dias 25,26 e 27 de fevereiro de 2026, o auditório do Sindicomerciários Caxias receberá 17 debatedores para abordar 8 temas sobre a luta dos comerciários e comerciárias pelo fim da escala 6×1

Aproximadamente 150 dirigentes sindicais de todo o país estarão reunidos nos dias 25,26 e 27 de fevereiro em Caxias do Sul para participar do 1º Encontro Nacional de Trabalhadores de Comércio e Serviços da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil – CTB. O evento, que acontecerá no auditório do Sindicomerciários Caxias, contará com 17 debatedores e 8 temas de discussão, sendo um dos principais temas o FIM DA ESCALA 6X1, POR MAIS VIDA ALÉM DO TRABALHO.

O encontro  abordará temas como a conjuntura nacional e internacional e o mercado de trabalho; NR-01 – Riscos Psicossociais: o olhar da psicologia, da fiscalização e da justiça; a participação das mulheres e da juventude no movimento sindical e na política; a luta pelo descanso semanal remunerado e a redução da jornada de trabalho – Fim da escala 6×1; as mudanças no setor do comércio e serviços e os impactos na organização sindical e do trabalho; e a precarização nas relações de trabalho no setor do comércio e serviços – análise e formas de enfrentamento.

FIM DA ESCALA 6X1 E A LUTA POR VIDA ALÉM DO TRABALHO

Entre os debatedores convidados para o evento estão Daiana Santos, deputada federal (PCdoB-RS), autora do projeto de lei (PL 67/2025) que pode representar um grande avanço para os trabalhadores brasileiros, especialmente para os comerciários. A proposta prevê a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais e garante pelo menos dois dias consecutivos de descanso remunerado, colocando fim à escala 6×1 tão comum no comércio. Lúcia Garcia, graduada em Ciências Econômicas e mestre em Economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Técnica do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE). Especializada em estudos do trabalho e nas técnicas de medição do mercado de trabalho. É docente da Escola de Ciências do Trabalho do DIEESE desde 2006. Sâmia Ciliato, psicóloga com foco em gestão de pessoas e psicologia organizacional, e, Ricardo Maldonado:  líder sindical chileno, atualmente servindo como presidente da Confederación de Trabajadores del Transporte Terrestre (CONUTT) e como membro do conselho executivo da Central Unitaria de Trabajadores de Chile.

Também fazem parte das mesas debatedoras, Nivaldo Santana, dirigente sindical, atuando como Secretário de Relações Internacionais da CTB; Adilson Araújo, presidente nacional da CTB; Ronaldo Leite, secretário geral da CTB nacional; Vânius Corte, Gerente Regional do Trabalho de Caxias do Sul e auditor-fiscal do Trabalho; Rodrigo Ribeiro, professor e pesquisador; Dr. Marcelo Porto, juiz do Trabalho; Abgail Pereira, ex-secretária da Mulher CTB Nacional e ex-secretária do Turismo do RS; Henrique Domingues, secretário da Juventude CTB Nacional; Clomar Porto, assessor de comunicação CTB RS; Marcos Pereira, assessor de comunicação SEC RJ; Guiomar Vidor, presidente FECOSUL e vice-Presidente CNTC; Márcio Ayer, presidente SEC RJ e coordenador da secretaria do Comércio e Serviços da CTB e, Dr. Luiz Alberto de Vargas, desembargador do TRTR-4.

Para Guiomar Vidor, presidente FECOSUL e vice-Presidente CNTC, um dos palestrantes convidados, ”O sindicalismo brasileiro inicia o ano de 2026 com a meta unitária de mobilizar a classe trabalhadora para conquistar a redução da jornada de trabalho e o fim da exaustiva escala 6×1. Fortalecidos pelos recentes  acenos do governo federal, dirigentes sindicais planejam uma ‘grande onda nacional’ para converter o debate em lei ainda neste primeiro
semestre, aproveitando a janela política do ano eleitoral”. Neste ano obtivemos uma grande conquista com a isenção do Imposto de Renda (IR) para os trabalhadores que ganham até R$ 5 mil reais, “agora precisamos lutar por qualidade de vida também! ”

Nilvo Riboldi Filho, presidente do Sindicomerciários Caxias, demostra a satisfação de estar sediando o evento, que promete fomentar a discussão sobre os principais temas do mundo sindical, em especial aos comerciários e comerciárias. “O fim da escala 6×1 é nossa principal bandeira, e contamos com o apoio da categoria para fazer a discussão, a luta. O debate sobre a redução da jornada avança de forma simultânea na Câmara dos Deputados e no Senado Federal. O PL 67/2025, da deputada Daiana Santos, tramita na Comissão do Trabalho e dialoga diretamente com a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) apresentada pelo senador Paulo Paim (PT). O projeto prevê a redução da jornada para no máximo 40 horas semanais, além da garantia de dois dias de repouso remunerado por semana”. Nilvo finaliza afirmando que “o evento vai fortalecer e fomentar a luta de cada trabalhador e trabalhadora por ter mais tempo com suas famílias, além de representar mais saúde mental, já que nos deparamos com um crescimento assustador na busca por ajuda psicológica e psiquiátrica dos trabalhadores, causados principalmente pela exaustão”.

Veja a programação completa do evento neste:

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Pauta do reajuste para o Salário Mínimo Regional teve primeira reunião entre Governo, empresários e trabalhadores no RS

O Governo do Rio Grande do Sul realizou nesta quinta-feira, 12 de fevereiro, a primeira rodada de negociações entre entidades empresariais e representantes dos trabalhadores para definir o índice de reajuste do Salário-Mínimo Regional de 2026. O encontro ocorreu sob mediação da Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social, conforme o rito previsto no Decreto nº 57.502, de 12 de março de 2024, que instituiu o Comitê de Política de Valorização do Piso Salarial do Estado.

A reunião marcou o início oficial do calendário de debates e abriu espaço para a apresentação das primeiras propostas das partes envolvidas. Estão previstas ao todo três rodadas de negociação, com o objetivo de buscar consenso até o encontro final, agendado para 10 de março. Caso não haja acordo, a Secretaria deverá elaborar um relatório conclusivo e encaminhá-lo à Casa Civil até 30 de março de 2026, para posterior deliberação do governador e envio de projeto de lei à Assembleia Legislativa com os novos valores das faixas salariais, que deverão vigorar a partir de 1º de maio de 2026.

Propostas das centrais sindicais apresentadas na mesa

Durante a primeira reunião, as centrais sindicais apresentaram uma proposta unificada de reajuste e de fortalecimento da política permanente do piso regional. Entre os principais pontos defendidos estão:
• Reajuste total de 15,98% a partir de maio de 2026;
• Inclusão do piso regional na Constituição Estadual, com critérios permanentes de reajuste baseados no crescimento econômico e na inflação;
• Garantia do piso como vencimento mínimo aos servidores públicos estaduais, incorporando o dispositivo à legislação.

O presidente da Fecosul, Guiomar Vidor, que integra a comissão das centrais sindicais na mesa de negociação, destacou que a proposta foi construída coletivamente e dialoga com o cenário econômico e social do estado. Segundo ele, dados do Novo CAGED apontam a criação de 1,62 milhão de novos postos de trabalho no Rio Grande do Sul em 2025, o que reforça, na avaliação das entidades laborais, o impacto positivo da valorização salarial sobre o consumo e a economia.

Vidor também ressaltou o peso das despesas essenciais no orçamento das famílias gaúchas. Pesquisa recente da Serasa indica que mais da metade da renda familiar é destinada a gastos como alimentação, moradia e serviços, com 53% dos entrevistados relatando dificuldade para manter as contas em dia. O custo individual médio mensal estimado é de R$ 3.360, valor superior aos pisos atualmente praticados nas cinco faixas do salário mínimo regional.

Comparativo com estados vizinhos entra no debate

Outro ponto levado à mesa pelas lideranças sindicais foi o comparativo com Santa Catarina e Paraná, estados que também adotam pisos regionais. Entre 2019 e 2025, os reajustes acumulados foram de 61,11% em Santa Catarina e 49,40% no Paraná. No mesmo período, o Rio Grande do Sul soma 44,63%, considerando o reajuste aplicado em maio de 2025.

No caso paranaense, foi destacado que o estado já firmou acordo para 2026 por meio de composição tripartite no Conselho Estadual de Trabalho, Emprego e Renda. O reajuste do Grupo 1 foi de 6,12%, e o Paraná passou a registrar o maior salário mínimo regional inicial do país, fixado em R$ 2.105,34.

Piso regional como referência para negociações

Para o presidente da CTB-RS, Rodrigo Callais, o salário mínimo regional tem papel estratégico na distribuição de renda e na valorização do trabalho. Ele afirmou, durante o debate, que o percentual de 15,98% proposto pelas centrais busca recompor o poder de compra do piso, que, quando foi instituído em 2001, equivalia a 1,28 do salário mínimo nacional.

Callais também ressaltou que o piso regional não beneficia apenas os trabalhadores diretamente vinculados a ele, mas serve de referência para negociações coletivas de diversas categorias profissionais. “O salário mínimo regional influencia acordos e convenções coletivas e acaba repercutindo positivamente para um conjunto maior de trabalhadores”, avaliou.

Com a realização da primeira rodada, as negociações seguem nas próximas semanas, mantendo no centro do debate a construção de uma política permanente de valorização do trabalho no Rio Grande do Sul, associada ao crescimento econômico, à geração de empregos e à preservação do poder de compra das famílias gaúchas.

CARRINHO

SINDESC RS: Vem aí a campanha salarial. Entenda o que é INPC e como esse índice afeta o reajuste salarial e a sua vida!

Quando você liga a televisão ou pega o jornal, sempre vê comentários sobre o índice de inflação e várias siglas que acompanham. É IPCA, IGP, INPC e tantas outras. Neste artigo, você que trabalha em escritório ou empresa de contabilidade no RS entenderá o que é INPC, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor. Lembrando que a data-base da nossa categoria é em março, e que neste ano de 2026 nossa negociação se dará somente em relação ao salário e às cláusulas econômicas, já que no ano passado conquistamos um acordo muito positivo que assegura todas as demais cláusulas sociais da nossa Convenção Coletiva de Trabalho, a CCT, até o ano de 2027.

Cenário de inflação mais baixa, é bom ou ruim?

Neste ano, como todos sabem, a inflação está baixa, o que é muito bom para a economia e para os trabalhadores e trabalhadoras – já que um dos efeitos da inflação alta é que ela corrói justamente os salários e a renda das famílias. Então, neste cenário de inflação baixa, o SINDESC RS vai lutar por um reajuste salarial que ajude a recuperar o poder de compra da categoria – com um índice que assegure aumento real, acima da inflação, para quem trabalha no setor da contabilidade no RS.

Mas vamos lá. O INPC é calculado mensalmente pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e mede a mudança de preços de produtos e serviços consumidos por famílias de baixa renda no Brasil. É ele, também, que determina o índice de inflação que é utilizado para a negociação salarial dos trabalhadores e trabalhadoras no país.

O INPC mede a variação de preço de determinados produtos e serviços consumidos pelas famílias brasileiras com rendimento de 1 a 5 salários mínimos. O cálculo do INPC é feito pelo IBGE a partir da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF). Calma! Vamos explicar como funciona:

A POF analisa quais são os produtos e serviços que o brasileiro consome. Então, o IBGE pega esses dados e monta uma “cesta” com o que é consumido pelas famílias. Essa cesta é dividida em algumas categorias, como:

Alimentos e bebidas;
Moradia;
Vestuário;
Transportes;
Educação.

Na hora de fazer o cálculo do INPC, o IBGE dá peso diferente para cada categoria. Por exemplo, moradia e alimentação são mais importantes do que despesas pessoais. O objetivo do IBGE é avaliar se o dinheiro que o trabalhador brasileiro ganha é suficiente para manter o básico.

Mas, para que serve o INPC, na prática?

Para descobrir o custo de vida das famílias brasileiras de baixa renda. Seguindo a linha de raciocínio anterior, o IBGE entende que, se o salário do trabalhador é o mesmo de meses atrás, mas ele não consegue comprar e pagar pelas mesmas coisas que antes, o custo de vida aumentou. Ou seja, o preço dos produtos e serviços básicos cresceu.

Como o INPC impacta nossa vida?

A divulgação do índice auxilia no reajuste salarial. Desde a ação de sindicatos, em busca de melhor remuneração, até o aumento do salário mínimo anual.

Isso porque é importante que o profissional consiga manter o pagamento de produtos e serviços básicos para sobrevivência. Assim, ele conseguirá fazer planejamentos a médio prazo, pois terá a certeza de que o básico segue sendo pago.

Como é calculado o INPC?

O IBGE analisa a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) para saber como as pessoas estão gastando o dinheiro. A pesquisa leva em conta os valores daquela cesta de produtos e serviços que as famílias consomem ao longo do mês, do primeiro ao trigésimo dia, para, no final, calcular a média de gasto dessas famílias brasileiras.

Como foi o INPC acumulado ao longo dos anos?

Muitas vezes, as notícias e informações sobre o INPC vêm acompanhadas de um outro dado, o INPC acumulado. Como o índice é calculado mensalmente, para saber a variação em um período maior de tempo, é preciso fazer o acúmulo dele. Vamos entender:

Antes de mais nada: o que é o INPC acumulado?

De forma simplificada, o INPC acumulado é a variação anual do índice, considerando todos os meses. O cálculo é feito mensalmente, mas ele pode ser acumulado para dar uma ideia da variação da inflação ao longo do ano todo. É esse cálculo, do INPC acumulado durante um ano, que é utilizado nas negociações salariais – na data base de determinada categoria profissional.

Então ele varia muito, de acordo com as variações da economia do país, já que os preços oscilam bastante e dependem de diversos fatores. E, a inflação alta, como sabemos, é ruim para a economia. É ruim também para a renda do trabalhador porque, quando ela é alta, corrói o salário porque os produtos necessários à nossa sobrevivência ficam mais caros. Ou seja, diminui o poder de compra do salário.

Para saber mais sobre o INPC, acesse diretamente o site do IBGE clicando aqui.

Foto: Cris Faga/Fox Press

Movimento sindical prepara ofensiva para enterrar a escala 6×1 em 2026

O sindicalismo brasileiro inicia o ano de 2026 com a meta unitária de mobilizar a classe trabalhadora para conquistar a redução da jornada de trabalho e o fim da exaustiva escala 6×1. Fortalecidos pelos recentes acenos do governo federal, dirigentes sindicais planejam uma “grande onda nacional” para converter o debate em lei ainda neste primeiro semestre, aproveitando a janela política do ano eleitoral.

De acordo com lideranças sindicais ouvidas pelo Portal Vermelho, o cenário mudou drasticamente após o presidente Lula sinalizar que a economia brasileira está madura para essa transformação. Durante café com jornalistas em dezembro passado, Lula foi enfático: “O país está pronto e a economia está pronta para o fim da escala 6×1”. O presidente, contudo, convocou os sindicatos à ação, defendendo que a iniciativa deve vir de um processo de mobilização da sociedade.

A ministra Gleisi Hoffmann reforçou o coro em coletiva nesta semana e tratou o tema como “prioridade do governo federal” para 2026, destacando que a medida significa melhoria da qualidade de vida, e soma-se a conquistas como o aumento do salário mínimo e a isenção do Imposto de Renda.

Plano de mobilização unitária

Para Guiomar Vidor, presidente da Federação dos Comerciários do Rio Grande do Sul (Fecosul/CTB-RS), o novo posicionamento do Planalto é um divisor de águas. “O governo se reposicionou de forma extremamente positiva. O próprio ministro Luiz Marinho, que antes focava na negociação coletiva, agora assume esta como uma das principais bandeiras do governo federal para 2026”, afirmou.

Vidor aponta que, embora o setor progressista seja minoria no Congresso Nacional, a “maioria política na sociedade” é o trunfo para aprovar a mudança. No Rio Grande do Sul, o plano de luta já tem data: março, quando as campanhas salariais de 650 mil comerciários colocarão o fim da escala 6×1 no centro da pauta. O dirigente defende a unidade entre as centrais e o apoio ao PL 67/2025, da deputada Daiana Santos (PCdoB-RS), que estabelece a escala 5×2 com 40 horas semanais. “Temos que trazer o conjunto da sociedade, porque este não é um problema só da classe trabalhadora”, alerta Vidor.

Produtividade e Justiça Social

Um dos principais argumentos do movimento sindical contra o discurso patronal é o salto de produtividade gerado pela tecnologia. Vidor destaca que a introdução da Inteligência Artificial e dos caixas de autoatendimento (self-checkout) aumentou o lucro líquido das empresas, reduzindo a necessidade de mão de obra intensiva. “Existe hoje uma massa crítica suficiente para reduzir a jornada. Muitas empresas já adotam o 5×2 por compreenderem a necessidade de o trabalhador ter tempo para descanso, família e qualificação”, explica o dirigente.

A histórica luta pela redução da jornada de trabalho

Ricardo Patah, presidente do Sindicato dos Comerciários de São Paulo e da União Geral dos Trabalhadores (UGT), trouxe uma perspectiva histórica à luta, lembrando que a reivindicação por redução de jornada remonta à Greve Geral de 1917. Ele recorda que, na Constituinte de 1988, a jornada caiu de 48 para 44 horas, mas que oportunidades posteriores foram perdidas por falta de consenso entre o movimento. “Agora o momento é de unidade e de não recuar”, afirmou Patah.

Para o dirigente, o fim da escala 6×1 é um imperativo ético, especialmente numa cidade como São Paulo, onde a maioria dos 600 mil comerciários é majoritariamente de mulheres. “Essas trabalhadoras levam uma hora e meia para ir e outra para voltar. No único dia de folga, continuam trabalhando em casa. Muitas são chefes de família. É uma questão que vai além da economia, é uma mudança cidadã e de inclusão”, destacou.

Projetos que avançam no Congresso

Atualmente, o Congresso Nacional fervilha com propostas que visam alterar a jornada de trabalho. Embora existam mais de uma dezena de projetos apensados ou tramitando em paralelo, o “plano de voo” no legislativo em 2026 concentra-se em três frentes estratégicas:

A PEC 148/2015 (Senado Federal) de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS), é considerada a mais avançada. Após ser aprovada na CCJ do Senado em dezembro de 2025, a proposta que reduz gradualmente a jornada para 40 horas ganhou tração e está pronta para o Plenário. O governo busca usá-la como base para um acordo político que pacifique o setor empresarial através de uma transição escalonada. Outra alternativa é a PEC 8/2025 (Câmara dos Deputados) da deputada Erika Hilton (PSOL-SP). A proposta foi o combustível popular que incendiou o debate nas ruas em 2024 e 2025. Tem como foco a proibição constitucional do modelo de seis dias de trabalho por um de descanso, forçando a adoção de escalas mais humanas como a 5×2 ou 4×3. A terceira opção é o PL 67/2025 (Câmara dos Deputados) de autoria da deputada Daiana Santos (PCdoB-RS), que foca na alteração direta da CLT. É a aposta da CTB e de setores da esquerda para uma tramitação mais ágil, pois, por ser um Projeto de Lei, não exige o quórum qualificado e o rito rigoroso de uma Emenda à Constituição para mudar regras infraconstitucionais da jornada de 8 horas.

Redução da jornada é plenamente possível

De todo modo, a viabilidade de redução da jornada de trabalho já é testada na prática por grandes redes e setores específicos, como hotéis e supermercados, que começaram a implementar o modelo 5×2. Com o apoio do Ministério do Trabalho, que classifica a aprovação em 2026 como “plenamente possível”, os sindicatos agora focam em transformar a indignação das redes sociais em mobilização nas ruas para fazer pressão política sobre os parlamentares em ano de eleição.

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Comissão de Negociação da Fecosul se reúne com SINDICODIV-RS para tratar da Convenção Coletiva 2026

A Comissão de Negociação da Federação dos Comerciários do Rio Grande do Sul (Fecosul) realizou, na manhã desta quarta-feira, 15 de janeiro, uma reunião com o Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos no Estado do Rio Grande do Sul (SINDICODIV-RS). O encontro ocorreu na sede do SINCODIV e marcou o início das tratativas da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) 2026, com data-base em 1º de março.

Durante a reunião, a representação dos trabalhadores apresentou a pauta de reivindicações da categoria, destacando como principais pontos o reajuste de 7,5% nos pisos e salários, a renovação das cláusulas já existentes na atual convenção coletiva e a regulamentação do trabalho aos domingos e feriados.

Além dessas demandas centrais, também foi apresentado um conjunto de outras cláusulas, que agora serão analisadas pela representação patronal. Da mesma forma, o SINDICODIV-RS apresentou propostas que ficarão sob avaliação da Fecosul e dos sindicatos filiados.

Segundo o presidente da Fecosul, Guiomar Vidor, o diálogo foi positivo e demonstra disposição das partes para avançar nas negociações. “As perspectivas são boas para o fechamento de um acordo. Seguiremos debatendo os pontos apresentados e acreditamos que será possível construir um entendimento nos próximos encontros”, afirmou.

A expectativa é de que novas rodadas de negociação ocorram ainda nos meses de janeiro e fevereiro, dando continuidade ao processo de construção da Convenção Coletiva 2026.

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Salário mínimo sobe para R$ 1.621 em 2026 e injeta R$ 81,7 bilhões na economia, aponta DIEESE

A partir de 1º de janeiro de 2026, o salário mínimo nacional passa a ser de R$ 1.621,00, o que representa um reajuste nominal de 6,79% em relação ao valor anterior. O novo valor segue a política permanente de valorização do salário mínimo, retomada em 2023, que combina a reposição da inflação com ganho real vinculado ao crescimento da economia .

De acordo com a Nota Técnica nº 289 do DIEESE, o reajuste considera a inflação medida pelo INPC, que acumulou 4,18% no período, somada a um aumento real de 2,5%, limitado pelo atual arcabouço fiscal. Com isso, o piso nacional terá um acréscimo de R$ 103,00 no valor mensal .

Mais renda, mais consumo e impacto direto na vida dos trabalhadores

O estudo aponta que cerca de 61,9 milhões de brasileiros têm rendimentos diretamente referenciados no salário mínimo. Com o novo valor, o aumento de renda na economia deve alcançar R$ 81,7 bilhões em 2026, fortalecendo o consumo interno e a atividade econômica .

Para o presidente do SINDESC RS, Fernando Lemos, a valorização do salário mínimo representa uma conquista concreta para quem vive do trabalho: “O reajuste do salário mínimo não é apenas um número. Ele significa comida na mesa, contas pagas e mais dignidade para milhões de trabalhadores e trabalhadoras. Quando o salário mínimo cresce acima da inflação, toda a economia se movimenta, especialmente nos setores que mais empregam e nos municípios”, destaca Fernando Lemos.

Importância para os municípios e para o serviço público

A Nota Técnica do DIEESE também mostra que o impacto do salário mínimo é mais significativo nas administrações municipais, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, onde há maior concentração de trabalhadores com remuneração próxima ao piso nacional. Ainda assim, o impacto sobre a folha total dos municípios permanece relativamente baixo, em torno de 0,81%, demonstrando que a valorização do mínimo é socialmente necessária e fiscalmente administrável.

Segundo Fernando Lemos, os dados desmontam o discurso de que a valorização do salário mínimo inviabiliza as contas públicas: “Os números provam que é possível valorizar quem trabalha sem comprometer a economia. Pelo contrário: o salário mínimo forte reduz desigualdades, fortalece o mercado interno e gera retorno ao próprio Estado por meio do consumo e da arrecadação”, afirma.

Política de valorização e combate às desigualdades

O DIEESE ressalta que, desde 2003, a política de valorização do salário mínimo foi uma das principais ferramentas de combate à pobreza e às desigualdades sociais. Entre 2002 e 2026, o piso nacional acumula aumento nominal de 710,5%, com ganho real próximo de 100% no poder de compra .

Além disso, houve melhora na relação entre salário mínimo e cesta básica. Em janeiro de 2026, o salário mínimo será capaz de adquirir, em média, 1,93 cesta básica, o melhor resultado desde 2019, ainda que insuficiente para garantir plenamente o sustento das famílias .

Luta permanente por mais valorização

Para o SINDESC RS, a elevação do salário mínimo reforça a necessidade de seguir lutando por políticas de renda, valorização salarial e redução das desigualdades, aliadas a pautas fundamentais como a redução da jornada de trabalho e a ampliação de direitos.

“O salário mínimo precisa continuar sendo tratado como instrumento de justiça social. A nossa luta é para que os trabalhadores tenham não só renda, mas também tempo para viver e qualidade de vida”, conclui Fernando Lemos.

Veja a nota técnica do Dieese na íntegra: