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Manobra patronal adia votação de projeto pelo fim da escala 6×1

Por pressão de setores patronais contrários ao fim da escala 6×1, a Comissão de Trabalho da Câmara dos Deputados não apreciou, na sessão desta quarta-feira (18), o Projeto de Lei 67/2025, da deputada federal Daiana Santos (PCdoB-RS). A medida propõe como limite a escala 5×2, sem redução salarial.

A não apreciação se deu em virtude de um requerimento de retirada de pauta apresentado pelo deputado Zé Adriano (PP-AC), que também é presidente da Federação das Indústrias do Acre (Fieac). Com isso, a análise da matéria ficará para a próxima quarta-feira (25).

Após a decisão, a deputada Daiana Santos, dirigindo-se ao deputado, declarou: “Temos total disposição para debatermos ponto a ponto e, assim, avançar. E mais uma vez registro: (o fim da escala 6×1) é algo necessário e urgente de ser feito. É algo que há anos a sociedade pede que seja revisto”.

Fotos: Bruno Mendes/Matheus Itacaramby

Por pressão de setores patronais contrários ao fim da escala 6×1, a Comissão de Trabalho da Câmara dos Deputados não apreciou, na sessão desta quarta-feira (18), o Projeto de Lei 67/2025, da deputada federal Daiana Santos (PCdoB-RS). A medida propõe como limite a escala 5×2, sem redução salarial.

A não apreciação se deu em virtude de um requerimento de retirada de pauta apresentado pelo deputado Zé Adriano (PP-AC), que também é presidente da Federação das Indústrias do Acre (Fieac). Com isso, a análise da matéria ficará para a próxima quarta-feira (25).

Após a decisão, a deputada Daiana Santos, dirigindo-se ao deputado, declarou: “Temos total disposição para debatermos ponto a ponto e, assim, avançar. E mais uma vez registro: (o fim da escala 6×1) é algo necessário e urgente de ser feito. É algo que há anos a sociedade pede que seja revisto”.

Fotos: Bruno Mendes/Matheus Itacaramby

A sessão contou a com a presença de representantes dos movimentos sindicais e estudantil em apoio à escala 5×2, como os presidentes da CTB, Adilson Araújo; da CTB-RS, Rodrigo Calais; da UNE, Bianca Borges; da Federação dos Comerciários do Rio Grande do Sul (Fecosul), Guiomar Vidor; do Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro, Márcio Ayer; e do Sindicato dos Comerciários de Caxias do Sul (RS), Nilvo Riboldi Filho.

Sessão com o ministro

Antes da abertura da sessão deliberativa, a Comissão do Trabalho recebeu o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho. Na ocasião, ele defendeu como prioridade para o Congresso Nacional, neste ano, o fim da escala 6×1 e a criação de regras para o trabalho mediado por aplicativos.

Marinho reafirmou o apoio do governo à redução da jornada para 40 horas semanais, com dois dias de folga (escala 5×2), conforme proposto por Daiana. Segundo o ministro, o projeto é um caminho mais célere do que as duas propostas de emenda à Constituição (PECs) que tramitam na Câmara. “A sociedade vem debatendo muito essa questão, e o parlamento tem sensibilidade para agilizar isso”, afirmou.

Saiba mais: No Brasil, 72% das empresas que adotaram escala 5×2 tiveram aumento de receita

Ele também ressaltou que a jornada 6×1 “é cruel em particular para as mulheres. Então, acabar com a 6×1 é um chamado cívico, humanitário”, declarou.

Para a deputada Enfermeira Rejane (PCdoB-RJ), o debate sobre o fim da 6×1 “interessa a todos nós, não apenas por sermos mulheres, mas por sermos uma parcela da sociedade que sofre muito com essa escala que nos tira a possibilidade de viver”. Ela reforçou que o excesso de trabalho vem adoecendo os trabalhadores.

Quanto ao trabalho por aplicativo, Luiz Marinho disse que, considerando a indisposição que há, inclusive no Congresso, em relação ao estabelecimento de um vínculo formal via CLT, é preciso criar o “enquadramento possível” para garantir direitos básicos à categoria, uma das mais precarizadas do mercado de trabalho brasileiro.

Fonte: Vermelho/Priscila Lobregatte

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Campanha Salarial 2026 dos Comerciários do RS será lançada dia 24 com foco em valorização, aumento real e fim da escala 6×1

A Federação dos Empregados no Comércio de Bens e de Serviços do Rio Grande do Sul (FECOSUL) lança oficialmente, na próxima terça-feira, 24/3, a Campanha Salarial 2026 dos comerciários e comerciárias do estado, com o lema: “Pra cima, comerciários: fim da escala 6×1 e trabalho valorizado”. O evento será no município de Lajeado, localizado no Vale do Taquari.

A campanha mobiliza sindicatos de todo o Rio Grande do Sul e reforça a necessidade de valorização de quem sustenta o comércio diariamente. Entre as principais bandeiras estão o aumento real de salários acima da inflação, melhores condições de trabalho, redução da jornada e o fim da escala 6×1 — considerada prejudicial à saúde, ao convívio familiar e à qualidade de vida da categoria.

Segundo dados do DIEESE, o comércio gaúcho segue em crescimento. Em 2025, o volume de vendas do comércio varejista registrou aumento real de 2,5% acima da inflação, com destaque para segmentos como farmácias (4,4%) e supermercados (3,2%). O setor supermercadista, sozinho, movimentou cerca de R$ 75,6 bilhões, evidenciando a força econômica do comércio no estado.

Apesar disso, a realidade dos trabalhadores ainda é marcada por baixos salários e jornadas extensas. Atualmente, o comércio emprega mais de 661 mil pessoas no Rio Grande do Sul, representando cerca de 23% dos empregos formais. Mesmo assim, o piso médio da categoria gira em torno de R$ 1.775, valor que compromete grande parte da renda com despesas básicas, como alimentação, moradia e transporte.

Para a FECOSUL, esse cenário evidencia a necessidade urgente de redistribuição dos ganhos do setor. “Quem constrói a riqueza do comércio precisa ser valorizado. Não é justo que o setor cresça e os trabalhadores continuem enfrentando dificuldades para viver com dignidade”, destaca a entidade.

A campanha também reforça apoio ao Projeto de Lei 67/2025, de autoria da deputada federal Daiana Santos (PCdoB/RS), que propõe a adoção da escala 5×2 e a redução da jornada para 40 horas semanais sem redução salarial.

Além do reajuste com ganho real, a pauta de reivindicações inclui piso salarial de R$ 2.060, fim do banco de horas, auxílio-estudante, vale-refeição, ampliação das licenças maternidade e paternidade, combate ao trabalho intermitente e garantia de salário igual para trabalho igual.

Mais do que uma negociação econômica, a Campanha Salarial 2026 se apresenta como uma mobilização por respeito, dignidade e melhores condições de vida para os trabalhadores e trabalhadoras do comércio gaúcho.

“É hora de mudar essa realidade. Com união e mobilização, vamos avançar na conquista de direitos e mais qualidade de vida para a categoria”, reforça a FECOSUL.

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Sindicato dos comerciários de Taquari alerta que supermercados devem assinar acordo para trabalhar em feriados

O Sindicato dos Empregados no Comércio de Taquari e Região alerta as empresas do setor de supermercados que os estabelecimentos que possuem interesse em abrir durante os feriados em 2026 deverão assinar acordo coletivo de trabalho com o Sindicato. 

As empresas interessadas deverão procurar o Sindicato até o dia 31 de março. As empresas devem assinar o acordo independente do número de feriados que pretendem abrir. O documento permite a abertura em todos os feriados, com exceção dos dias 25 de dezembro de 2026 e 1º de janeiro de 2027. 

O documento autoriza que as empresas usem mão de obra de trabalhadores nas seguintes condições:

Pagamento de bônus de:

  • R$ 115,00 para jornada de 4 horas ininterruptas
  • R$ 220,00 para jornada de 8 horas diárias, com intervalo de almoço 

O pagamento do bônus deve ser feito de forma antecipada por depósito bancário em conta corrente em nome do trabalhador. 

As empresas deverão também: 

  • Conceder uma folga proporcional às horas trabalhadas para cada trabalhador por feriado trabalhado, no prazo máximo de 15 dias após o feriado;
  • Apresentação de escala de trabalho, folga e o comprovante de depósito à entidade sindical 48 horas antes do feriado. 

Reajuste salarial

As empresas que assinaram o acordo deverão reajustar o salário em 4,36% e manter todas as cláusulas sociais vigentes no acordo anterior.  

Além disso, os trabalhadores que estudam, têm direito ao auxílio escolar. O benefício é de um piso para trabalhador que estuda e 75% do piso nos casos em que trabalhadores possuem filhos menores de 18 anos que estudem.

Esse benefício poderá ser substituído pelo Prêmio Assiduidade no valor de R$ 220,00 para trabalhadores que não possuem direito ao auxílio escolar. 

Vésperas de Natal e Ano Novo

Nos dias 24 e 31 de dezembro as empresas encerrarão suas atividades no máximo até as 18h00min. Fechando as portas 30 minutos antes para atender todos os clientes que ainda se encontram dentro do mercado; 

Empresas interessadas devem procurar as sedes do Sindicomerciários, que está localizado na  Rua General Osório, 2274, Centro, Taquari e Rua Dom Pedro II, 1302, Canabarro, Teutônia. 

O Whatsapp é o 3653-3094 (Taquari) e 3762-8404 (Teutônia) e o horário de atendimento é de segunda à sexta das 8h30 às 12h e das 13h30 às 18h.  

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Sindicomerciários orienta a antecipação de dissídio coletivo

O Sindicomerciários de Taquari e Região orienta as empresas para anteciparem o reajuste salarial do dissídio coletivo na folha do mês de março, que é paga no início do mês de abril. Essa antecipação deverá ser de 3,36%, equivalente à inflação acumulada nos últimos 12 meses em março de 2026, de acordo o INPC – Índice Nacional de Preços ao Consumidor, medido pelo IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

“Caso o empregador antecipe o dissídio, evita grandes acúmulos de quantias a serem pagas ao trabalhador.  Além disso, o trabalhador recebe o aumento antes, já que se trata de uma negociação demorada, pois não aceitamos a retirada de direitos conquistados pelo Sindicato para a categoria durante a história da entidade”, explica Raul Cerveira, tesoureiro da entidade.

Saiba Mais

A convenção coletiva para os trabalhadores no comércio para a base territorial do Sindicomerciários de Taquari e Região, tem como data base de negociação o dia 1º de março. 

Todos os aumentos salariais são válidos a partir desta data, independente do dia da assinatura do documento. 

Nos casos onde a empresa não antecipe o aumento salarial, ela deverá pagar todos os valores retroativos na folha salarial subsequente à assinatura da convenção coletiva. 

A entidade sindical atende as cidades de Taquari, Teutônia, Tabaí, Paverama, Fazenda Vilanova, Poço das Antas, Bom Retiro do Sul, Westfália, Colinas, Imigrante, Boa Vista do Sul, Coronel Pilar e Vale Verde.

As empresas e escritórios de contabilidade podem entrar em contato para mais informações. O Whatsapp é o 3653-3094 (Taquari) e 3762-8404 (Teutônia). O horário de atendimento é das 8h30min às 12h e das 13h30min às 18h.  

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Dirigentes da FECOSUL e CTB articulam em Brasília a votação do PL que propõe jornada de 40 horas semanais na Câmara

Representantes do movimento sindical do comércio e serviços estiveram em Brasília para reforçar a defesa da redução da jornada de trabalho no Brasil. O presidente da Federação dos Empregados no Comércio de Bens e de Serviços do Rio Grande do Sul (FECOSUL), Guiomar Vidor, participou de uma reunião com o presidente da Comissão de Trabalho da Câmara dos Deputados, Max Lemos, e com a deputada federal Daiana Santos, para tratar do andamento do Projeto de Lei 67/2025.

A reunião contou ainda com a presença dos vice-presidentes da FECOSUL, Nilvo Riboldi Filho e Daniel Rockenbach, da tesoureira Cristina Mendes, do presidente da CTB-RS, Rodrigo Callais, além de dirigentes de entidades sindicais do Rio Grande do Sul e do presidente do Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro, Marcio Ayer.

Durante o encontro, as lideranças sindicais destacaram a importância da aprovação do projeto, que estabelece a adoção da escala 5×2 e a redução da jornada semanal para 40 horas sem redução de salários. A proposta busca superar a histórica escala 6×1, realidade vivida por grande parte da categoria comerciária há quase um século.

Em sua manifestação, Guiomar Vidor chamou atenção para os impactos do atual modelo de jornada na saúde dos trabalhadores. Segundo ele, o crescimento dos casos de adoecimento mental é um sinal claro de que o país precisa avançar em direção a uma nova organização do trabalho.

De acordo com dados apresentados na reunião, mais de 546 mil trabalhadores foram afastados do trabalho em 2025 por transtornos mentais, um número que reforça a urgência de políticas que garantam melhores condições de vida e trabalho.

Vidor também destacou que estudos econômicos demonstram que a redução da jornada não representa prejuízo significativo para as empresas. Pelo contrário, a medida pode gerar mais de 2,5 milhões de empregos no país, com impacto estimado de apenas 1,04% no custo geral das empresas do comércio e da indústria.

“Estamos falando de uma mudança histórica, que vai garantir mais saúde, mais empregos e mais qualidade de vida. O trabalhador precisa ter direito a uma vida além do trabalho”, afirmou o presidente da FECOSUL.

Após ouvir os argumentos das entidades sindicais e da deputada Daiana Santos, autora do projeto, o deputado Max Lemos concordou com os fundamentos apresentados pelas representações dos trabalhadores e determinou a inclusão do projeto na pauta da próxima reunião da Comissão de Trabalho.

A votação está prevista para quarta-feira, 18 de março, às 9h, em sessão que contará com a presença do ministro do Trabalho, Luiz Marinho.

A FECOSUL e a CTB já confirmaram presença na reunião e devem mobilizar dirigentes sindicais para acompanhar a votação, considerada um passo decisivo na luta pela redução da jornada de trabalho e pelo fim da escala 6×1 no Brasil.

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Grande ato em Porto Alegre mobiliza entidades sindicais e movimentos sociais no Dia Internacional da Mulher

Violência contra a mulher, machismo, misoginia, assédio moral e sexual, desigualdade de direitos e o fim da escala de trabalho 6×1. Essas foram algumas das principais pautas do ato realizado neste domingo (8), em Porto Alegre, em alusão ao Dia Internacional da Mulher. A Fecosul esteve presente nessa grande mobilização que reuniu centenas de participantes e integrou uma jornada nacional de manifestações organizadas por entidades sindicais, movimentos sociais e organizações feministas em todo o Brasil.

Na capital gaúcha, cerca de 70 entidades participaram da atividade. A concentração ocorreu na Ponte de Pedra, no Largo dos Açorianos, de onde manifestantes seguiram em caminhada até a Praça do Aeromóvel, na Orla do Guaíba. Ao longo do trajeto, mulheres e apoiadores carregaram cartazes e faixas com denúncias contra a violência de gênero e em defesa de mais políticas públicas para proteger as mulheres.

Além da caminhada, o evento contou com apresentações culturais, feira de economia solidária e distribuição de materiais informativos sobre direitos e formas de enfrentar a violência.

A mobilização também chamou atenção para os altos índices de violência contra as mulheres. Somente no Rio Grande do Sul, 20 feminicídios já haviam sido registrados até o início de março de 2026. Para efeito de comparação, ao longo de todo o ano de 2025 foram contabilizados 80 casos no estado, o que reforça a urgência de políticas públicas mais efetivas de prevenção e proteção.

A secretária de Mulheres da Fecosul, Crislaine Carneiro, destacou que o combate à violência precisa ser enfrentado de forma estrutural e coletiva. Para ela, os dados mostram a gravidade do cenário e a necessidade de ampliar a proteção às mulheres. “Em 2025, foram registrados 1.548 feminicídios no Brasil, quase quatro mulheres assassinadas por dia. A maioria é de mulheres mortas dentro de casa, muitas vezes por companheiros ou ex-companheiros. Essa violência não fica restrita ao espaço privado: ela se espalha pelo mundo do trabalho, pela política, pelas ruas e também pelas redes sociais.

Outro tema presente na mobilização foi a luta pelo fim da escala de trabalho 6×1, pauta que tem ganhado força em todo o país. Para as entidades sindicais, a redução da jornada é fundamental para melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores, especialmente das mulheres, que muitas vezes enfrentam jornadas duplas ou triplas entre o trabalho formal e as responsabilidades domésticas.

O presidente da Fecosul, Guiomar Vidor, destacou que as mobilizações do 8 de março demonstram que o país está atento às pautas que impactam diretamente a vida das mulheres. “O Brasil está mobilizado contra essas pautas que estão diretamente ligadas às lutas das mulheres. Nós, como representantes de entidades sindicais, estaremos constantemente cobrando mais políticas públicas e leis que defendam as mulheres em todos os espaços, seja em casa, na rua ou no seu local de trabalho.

O Dia Internacional da Mulher foi marcado por manifestações em diversas cidades brasileiras. Em todo o país, as mobilizações reforçaram pautas como o combate à violência de gênero, igualdade salarial, direitos trabalhistas e justiça social.

Como buscar ajuda

Mulheres que estejam em situação de violência podem procurar ajuda por meio dos seguintes canais:

Brigada Militar – 190
Se a violência estiver acontecendo naquele momento, a vítima ou qualquer pessoa pode ligar imediatamente para o 190. O atendimento é 24 horas.

Central de Atendimento à Mulher – Disque 180
Serviço gratuito que recebe denúncias, orienta sobre direitos e encaminha as vítimas para atendimento especializado. Funciona 24 horas por dia em todo o Brasil.

Delegacias da Mulher ou Delegacias de Polícia
A vítima pode registrar ocorrência e solicitar medidas protetivas. Também é possível fazer o registro pela Delegacia Online.

Defensoria Pública – 0800 644 5556
Oferece orientação jurídica gratuita para mulheres em situação de violência.

Centros de Referência de Atendimento à Mulher
Espaços que oferecem acolhimento psicológico, social e orientação jurídica.

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Trabalhador doente, estado ausente: Sintratel participa de debate sobre crise de saúde mental e precarização no telemarketing

“Quando o estado sabe que existe [a violação de direitos], ele vê que existe, ele tem a prova e ele nega, ele faz parte do sistema de exploração de adoecimento do trabalhador. (…) As pessoas do telemarketing são “suicidadas”. Isso não é contabilizado, não é falado, não é medido.” Essa foi uma das falas da presidenta do Sintratel RS, Crislaine Carneiro, durante o “Encontro: Discussão do Adoecimento no Teleatendimento/Telemarketing” que aconteceu nesta quinta-feira, 5 de março, no auditório da Fundacentro, em São Paulo.

O evento contou com a presença do público e foi transmitido ao vivo pelo canal do YouTube da entidade. O debate reuniu trabalhadores, sindicatos e empregadores para lançar luz sobre um ambiente profissional frequentemente marcado por ritmos intensos, ausência de pausas e graves riscos psicossociais. Além de Crislaine, o vice-presidente do Sintratel RS, Elder dos Santos, também esteve presente para trazer à tona a dura realidade enfrentada por quem atua nas centrais de atendimento.

Na sua fala, em um relato contundente, Crislaine denunciou que o assédio moral no setor é “estrutural” e ilustrou a gravidade do problema citando um caso em que um operador procurou o sindicato para relatar abusos e, apenas uma hora depois, a supervisora denunciada também ligou para o sindicato para acusar a coordenadora. É um ciclo sem fim.

Para a dirigente, a lógica do setor impõe que o lucro das empresas esteja “acima de tudo e de todos”, operando em um cenário de forte disparidade nas negociações trabalhistas, agravado após a reforma trabalhista. Apesar de existirem raros acordos positivos – como escalas de 4×3 e pisos salariais melhores -, Crislaine alerta que essa “não é a regra”, o que torna urgente a presença do Estado para garantir a saúde e prevenir o adoecimento crônico da categoria.

A maquiagem do Burnout e a negligência governamental

Coordenado por Remígio Todeschini e Cleiton Faria Lima, da Diretoria de Conhecimento e Tecnologia (DCT) da Fundacentro, o encontro reforçou a importância da aplicação da Norma Regulamentadora 17 (NR-17), em especial seu Anexo II, focado nas atividades de telemarketing. A norma busca garantir o máximo de conforto, segurança e saúde.

No entanto, a prática nas empresas desafia a legislação. Crislaine denunciou a recusa sistemática das empresas em emitir a Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) e a negligência dos peritos do INSS e médicos corporativos em atestar a Síndrome de Burnout. A dirigente acusa os médicos de ignorarem a “estrutura doente de trabalho”, preferindo culpar o estilo de vida do trabalhador, como o uso de transporte público ou o fato de morarem em regiões periféricas.

Ela aponta que as multas aplicadas pelo descumprimento de Termos de Ajustamento de Conduta (TAC) são irrisórias, criando um cenário onde o descumprimento de leis compensa financeiramente. Compartilhando sua própria vivência, a presidenta relatou já ter sofrido com o Burnout e com a redução de sua audição devido ao tempo excessivo nas posições de atendimento (PAs).

Metas inatingíveis, dependência emocional e o risco à vida

O debate também evidenciou um recorte social profundo: o setor é composto majoritariamente por mulheres, mães solo, pessoas negras de periferia e a população LGBTQIA+. Trata-se de um nicho vulnerável, frequentemente transformado em “refém” de remunerações variáveis. As empresas dobram sucessivamente as metas de atendimento, levando as trabalhadoras a um ciclo de falha constante, onde o adoecimento surge não por causa das metas abusivas, mas pela falsa crença de incapacidade pessoal.

A manipulação psicológica gera o que Crislaine descreve como uma perigosa “dependência emocional” do trabalhador que faz com que ele não consiga nem se desligar da empresa. O impacto dessa violência invisível atinge extremos: a dirigente relatou o episódio de uma trabalhadora que, após uma sessão de “feedback”, saiu correndo em direção ao metrô e quase tirou a própria vida. Segundo ela, os operadores não se suicidam de forma isolada, eles são “suicidados” por um sistema exaustivo e alienante que não contabiliza seus mortos.

Para isso, é preciso cobrar constantemente que as instituições respeitem às normas da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e também reforçar a responsabilidade do Estado.

Encaminhamentos e propostas

Ao final do encontro, os participantes destacaram que o debate marca o início de uma mobilização mais ampla para atualizar as regras que regem o setor. A proposta é iniciar um processo de discussão para revisão da Norma Regulamentadora 17, especialmente do Anexo II, que trata das atividades de teleatendimento e telemarketing.

Desde a criação da norma houve profundas mudanças nas ferramentas e nas formas de organização do trabalho no setor, o que exige uma atualização da regulamentação. Entre os pontos defendidos está a construção de uma norma que efetivamente proteja a saúde dos trabalhadores e previna doenças ocupacionais, além da defesa da redução da jornada de trabalho para 30 horas semanais, com limite de 6 horas diárias, medida considerada fundamental para reduzir o adoecimento na categoria.

Encerrando sua participação, Crislaine reafirmou a importância de reconhecer o papel social desempenhado pelos trabalhadores do setor. “Nós não perturbamos ninguém. Nós atendemos no SAMU, atendemos quando alguém sofre fraude no cartão de crédito, quando precisa resolver um problema. Nós prestamos um serviço essencial para a sociedade”, afirmou. “Chegamos a um momento em que não há mais como nos calar”, finalizou.

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FECOSUL RS participa da II Conferência Nacional do Trabalho e reforça luta pela jornada de 40 horas

A Federação dos Empregados no Comércio de Bens e de Serviços do Rio Grande do Sul (FECOSUL RS) participa da II Conferência Nacional do Trabalho, realizada entre os dias 3 e 5 de março, no Centro de Convenções Anhembi, em São Paulo. O encontro reúne lideranças sindicais, representantes do governo federal, do setor empresarial e especialistas para debater os desafios do mundo do trabalho e construir propostas para fortalecer o emprego e os direitos trabalhistas no Brasil.

Representando a federação, o presidente da FECOSUL RS, Guiomar Vidor, acompanha os debates sobre o futuro das relações de trabalho e a necessidade de valorização dos trabalhadores e trabalhadoras do comércio e dos serviços. A delegação gaúcha contou também com a presença do presidente da CTB RS, Rodrigo Callais, da dirigente do Sindicomerciários Caxias, Ivanir Perrone, e Orildes Lotice, do SEC de Bento Gonçalves, ambas também da diretoria FECOSUL, reforçando a participação do movimento sindical do Rio Grande do Sul no debate nacional sobre políticas públicas para o trabalho.

A cerimônia de abertura da conferência ocorreu no Teatro Celso Furtado, também no complexo do Anhembi, e contou com a presença do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, do ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, além de representantes das centrais sindicais de todo o país.

Redução da jornada e fim da escala 6×1

Entre os principais temas debatidos na conferência está a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais sem redução de salários, pauta histórica do movimento sindical e especialmente importante para trabalhadores do comércio e serviços, setores que ainda convivem com jornadas extensas e escalas desgastantes.

Para o presidente da FECOSUL RS, Guiomar Vidor, a discussão sobre a jornada é central para melhorar a qualidade de vida da classe trabalhadora. “A redução da jornada para 40 horas semanais, com a adoção da escala 5×2, representa mais tempo para a vida, para a família e para o convívio social. Além disso, é uma medida que pode gerar empregos e distribuir melhor os ganhos de produtividade da economia”, destaca.

Debate sobre o futuro do trabalho

A II Conferência Nacional do Trabalho integra um processo de diálogo social promovido pelo Ministério do Trabalho e Emprego, reunindo representantes de trabalhadores, empregadores e governo para discutir temas como negociação coletiva, proteção social, impacto das novas tecnologias e geração de empregos.

Para a FECOSUL RS, a participação nesses espaços é fundamental para garantir que a voz dos trabalhadores do comércio e dos serviços esteja presente nas decisões que impactam diretamente suas condições de trabalho e de vida.

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Trabalhadores comerciários de todo o país realizam caminhada histórica em Caxias do Sul pelo fim da escala 6×1

Uma grande caminhada pelas ruas centrais de Caxias do Sul marcou o encerramento do 1º Encontro Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Comércio e Serviços da CTB. Realizado entre os dias 25 e 27 de fevereiro, o encontro reuniu mais de 200 representantes sindicais de todo o Brasil na Serra Gaúcha e consolidou a defesa do fim da escala 6×1 como prioridade nacional da categoria.

A mobilização teve início no final da manhã desta sexta-feira (27), com saída da sede do Sindicomerciários Caxias — local onde ocorreram os debates e painéis do encontro — e percorreu as principais ruas do centro da cidade. Com bandeiras, faixas e palavras de ordem, os manifestantes dialogaram com comerciários, trabalhadores do setor de serviços e a população, denunciando os impactos da jornada exaustiva e defendendo mais tempo para viver.

O ato público expressou a unidade construída ao longo dos três dias de debates e reafirmou que a luta pela redução da jornada é hoje uma das principais bandeiras da classe trabalhadora brasileira.

Para o presidente da FECOSUL-RS, Guiomar Vidor, o fim da escala 6×1 representa uma mudança estrutural na qualidade de vida dos trabalhadores. “Não estamos falando apenas de organização da jornada, mas de saúde, de convivência familiar e de dignidade. O Brasil precisa avançar para a jornada de 40 horas semanais sem redução salarial. O desenvolvimento econômico não pode continuar sendo sustentado pelo esgotamento físico e mental de quem trabalha”, afirmou.

Já o presidente do Sindicomerciários Caxias, Nilvo Riboldi Filho, destacou o simbolismo de Caxias do Sul sediar o encontro e a caminhada. “A mobilização nas ruas mostra que essa pauta saiu das salas de debate e ganhou o coração da categoria. A cidade sentiu a força dos trabalhadores organizados. O fim da escala 6×1 é uma reivindicação concreta de quem quer viver com mais equilíbrio e respeito.” Nilvo também reafirmou o apoio da classe trabalhadora ao Projeto de Lei da deputada federal Daiana Santos (PL 67/2025) que estabelece o fim da escala 6×1 e a redução da jornada para 40 horas sem redução dos salários, também com a adoção da escala 5×2, com dois dias consecutivos de folga.

O presidente do Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro, Marcio Ayer, reforçou o caráter nacional da luta. “O que vimos aqui é a construção de uma agenda unificada do comércio e serviços em todo o país. A escala 6×1 é um modelo ultrapassado, que adoece e precariza. Vamos ampliar essa mobilização nos estados e pressionar o Congresso Nacional para que avance na redução da jornada.”

Carta de Caxias do Sul consolida resoluções

Como resultado do encontro, foi aprovada a “Carta de Caxias do Sul: Pela dignidade, saúde e reconquista de direitos dos trabalhadores e trabalhadoras do comércio e serviços”, documento que sistematiza as principais resoluções políticas da categoria .

Entre os pontos centrais aprovados estão:

• Fim imediato da escala 6×1, com apoio ao Projeto de Lei nº 67/2025, que estabelece jornada máxima de 40 horas semanais, sem redução salarial, e a adoção da escala 5×2;

• Implementação rigorosa da nova NR-1, com inclusão obrigatória dos riscos psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais, enfrentando o adoecimento mental no trabalho;

• Revogação integral da reforma trabalhista de 2017, considerada responsável pela ampliação da precarização, do trabalho intermitente e da pejotização;

• Defesa do uso da tecnologia como instrumento de libertação, e não de controle e intensificação da exploração;

• Fortalecimento da luta política, com a eleição de uma bancada comprometida com os direitos da classe trabalhadora.

O documento afirma que o fim da escala 6×1 “só será real com a efetiva redução da jornada” e rejeita qualquer tentativa de concentrar 44 horas em cinco dias úteis, o que ampliaria o desgaste físico e mental dos trabalhadores .

Ao final da caminhada, os participantes reafirmaram que o movimento seguirá mobilizado em todo o país. O encontro, além de histórico, consolidou uma agenda nacional de luta e apontou para um novo ciclo de organização no setor de comércio e serviços da CTB.

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Sintratel-RS denuncia precarização e cobra piso nacional em audiência no Senado sobre regulamentação do telemarketing

“Desenvolvimento econômico e dignidade humana não são valores opostos”. Foi com essa afirmação que a presidente do Sintratel-RS, Crislaine Carneiro, marcou sua participação na audiência pública da Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado, que debateu a regulamentação da profissão de operador de telemarketing e a criação de um piso salarial nacional para a categoria.

Mesmo à distância, por motivo de força maior que a impediu de estar presencialmente em Brasília – como era sua intenção -, Crislane fez uma intervenção firme e política, defendendo que o Congresso Nacional tem diante de si uma decisão histórica para mais de 1,4 milhão de trabalhadores e trabalhadoras no Brasil.

Durante sua fala, a dirigente denunciou o que classificou como prática recorrente de dumping social no setor. Segundo ela, “determinadas empresas estruturam os seus modelos de negócio com base na redução artificial dos custos e por meio sistemático de fragilização dos direitos fundamentais”, criando um ambiente marcado pela precarização e pela vulnerabilidade.

Crislaine também chamou atenção para o perfil social da categoria. “Nós estamos falando de uma categoria em um setor que produz em escala concentrada uma desigualdade estrutural de gênero, raça, classe e sexualidade do país”, afirmou. A maioria dos trabalhadores do telemarketing é composta por mulheres, pessoas negras e integrantes da comunidade LGBTQIA+, grupos que, segundo ela, enfrentam jornadas exaustivas, vigilância excessiva e alto índice de adoecimento, incluindo casos de burnout e sofrimento psíquico.

A audiência foi realizada por iniciativa do senador Paulo Paim, relator do PLS 447/2016, que trata da regulamentação da profissão e da criação de um piso salarial nacional. O projeto, originado de sugestão legislativa da própria categoria, já foi aprovado na Comissão de Direitos Humanos e agora avança no debate dentro do Senado.

Ao encerrar sua participação, a presidente do Sintratel-RS reforçou que a aprovação do projeto representa mais do que um reajuste salarial: trata-se de garantir dignidade frente à precarização histórica do setor e aos impactos crescentes da automação e da inteligência artificial.

Para o Sintratel-RS, o debate no Senado representa um passo importante em uma luta que se arrasta há anos e que envolve o reconhecimento, a valorização e a proteção de uma categoria essencial para o funcionamento de inúmeros serviços no país.