Uma nova pesquisa divulgada pelo instituto Quaest confirmou que a maioria dos brasileiros é favorável ao fim da escala 6×1, reforçando uma pauta histórica do movimento sindical. O levantamento revelou que 69% da população apoia a mudança, enquanto apenas 22% são contrários à proposta de redução da jornada de trabalho.
Para a Federação dos Empregados no Comércio de Bens e de Serviços do Estado do Rio Grande do Sul (FECOSUL), os números demonstram que a sociedade compreende a necessidade de modernizar as relações de trabalho e garantir mais qualidade de vida aos trabalhadores.
O presidente da FECOSUL, Guiomar Vidor, afirmou que a pesquisa evidencia um sentimento já percebido nas mobilizações realizadas em todo o país.
“Os dados da Quaest mostram que a população brasileira entendeu que trabalhar menos, sem redução de salários, significa viver melhor. A luta pelo fim da escala 6×1 não é apenas uma reivindicação sindical, mas uma demanda social que reúne trabalhadores, suas famílias e grande parte da sociedade.”
Segundo o levantamento Genial/Quaest, realizado com 2.004 brasileiros, 75% dos entrevistados já tinham conhecimento de que a proposta foi aprovada na Câmara dos Deputados e aguarda votação no Senado Federal.
A pesquisa também revelou que, caso a mudança seja aprovada, 53% dos brasileiros pretendem utilizar o tempo livre para descansar e conviver com a família, enquanto 13% buscariam uma fonte complementar de renda e 12% investiriam em estudos e qualificação profissional.
Para Guiomar Vidor, os resultados desmontam o argumento de que a redução da jornada comprometeria a produtividade.
“O trabalhador não quer deixar de produzir. Ele quer ter tempo para descansar, cuidar da saúde, estudar e estar com sua família. Isso melhora a qualidade de vida e também aumenta a produtividade. Países que reduziram a jornada já comprovaram esses benefícios.”
A pesquisa ainda mostrou que 50% dos entrevistados acreditam que trabalharão menos horas caso a proposta seja aprovada, enquanto 45% demonstram desconfiança de que a mudança seja efetivamente implementada, refletindo a expectativa em torno da regulamentação da nova jornada.
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC), que reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas, foi aprovada pela Câmara dos Deputados, mas segue parada no Senado Federal. Com o recesso parlamentar, a tramitação foi interrompida e deverá ser retomada em agosto.
Parlamentares favoráveis à proposta, entre eles o senador Paulo Paim (PT-RS), têm defendido a retomada da discussão logo no retorno das atividades legislativas.
Para a FECOSUL, a ampla aprovação popular aumenta a responsabilidade do Senado Federal, em especial ao Presidente Davi Alcolumbre, em dar andamento à matéria.
“Quando quase sete em cada dez brasileiros defendem o fim da escala 6×1, o Senado precisa ouvir a voz da sociedade. A redução da jornada é uma medida que promove saúde, fortalece a convivência familiar e representa um avanço civilizatório nas relações de trabalho”, concluiu Guiomar Vidor.
