Uma grande caminhada pelas ruas centrais de Caxias do Sul marcou o encerramento do 1º Encontro Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Comércio e Serviços da CTB. Realizado entre os dias 25 e 27 de fevereiro, o encontro reuniu mais de 200 representantes sindicais de todo o Brasil na Serra Gaúcha e consolidou a defesa do fim da escala 6×1 como prioridade nacional da categoria.
A mobilização teve início no final da manhã desta sexta-feira (27), com saída da sede do Sindicomerciários Caxias — local onde ocorreram os debates e painéis do encontro — e percorreu as principais ruas do centro da cidade. Com bandeiras, faixas e palavras de ordem, os manifestantes dialogaram com comerciários, trabalhadores do setor de serviços e a população, denunciando os impactos da jornada exaustiva e defendendo mais tempo para viver.
O ato público expressou a unidade construída ao longo dos três dias de debates e reafirmou que a luta pela redução da jornada é hoje uma das principais bandeiras da classe trabalhadora brasileira.
Para o presidente da FECOSUL-RS, Guiomar Vidor, o fim da escala 6×1 representa uma mudança estrutural na qualidade de vida dos trabalhadores. “Não estamos falando apenas de organização da jornada, mas de saúde, de convivência familiar e de dignidade. O Brasil precisa avançar para a jornada de 40 horas semanais sem redução salarial. O desenvolvimento econômico não pode continuar sendo sustentado pelo esgotamento físico e mental de quem trabalha”, afirmou.
Já o presidente do Sindicomerciários Caxias, Nilvo Riboldi Filho, destacou o simbolismo de Caxias do Sul sediar o encontro e a caminhada. “A mobilização nas ruas mostra que essa pauta saiu das salas de debate e ganhou o coração da categoria. A cidade sentiu a força dos trabalhadores organizados. O fim da escala 6×1 é uma reivindicação concreta de quem quer viver com mais equilíbrio e respeito.” Nilvo também reafirmou o apoio da classe trabalhadora ao Projeto de Lei da deputada federal Daiana Santos (PL 67/2025) que estabelece o fim da escala 6×1 e a redução da jornada para 40 horas sem redução dos salários, também com a adoção da escala 5×2, com dois dias consecutivos de folga.
O presidente do Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro, Marcio Ayer, reforçou o caráter nacional da luta. “O que vimos aqui é a construção de uma agenda unificada do comércio e serviços em todo o país. A escala 6×1 é um modelo ultrapassado, que adoece e precariza. Vamos ampliar essa mobilização nos estados e pressionar o Congresso Nacional para que avance na redução da jornada.”
Carta de Caxias do Sul consolida resoluções
Como resultado do encontro, foi aprovada a “Carta de Caxias do Sul: Pela dignidade, saúde e reconquista de direitos dos trabalhadores e trabalhadoras do comércio e serviços”, documento que sistematiza as principais resoluções políticas da categoria .
Entre os pontos centrais aprovados estão:
• Fim imediato da escala 6×1, com apoio ao Projeto de Lei nº 67/2025, que estabelece jornada máxima de 40 horas semanais, sem redução salarial, e a adoção da escala 5×2;
• Implementação rigorosa da nova NR-1, com inclusão obrigatória dos riscos psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais, enfrentando o adoecimento mental no trabalho;
• Revogação integral da reforma trabalhista de 2017, considerada responsável pela ampliação da precarização, do trabalho intermitente e da pejotização;
• Defesa do uso da tecnologia como instrumento de libertação, e não de controle e intensificação da exploração;
• Fortalecimento da luta política, com a eleição de uma bancada comprometida com os direitos da classe trabalhadora.
O documento afirma que o fim da escala 6×1 “só será real com a efetiva redução da jornada” e rejeita qualquer tentativa de concentrar 44 horas em cinco dias úteis, o que ampliaria o desgaste físico e mental dos trabalhadores .
Ao final da caminhada, os participantes reafirmaram que o movimento seguirá mobilizado em todo o país. O encontro, além de histórico, consolidou uma agenda nacional de luta e apontou para um novo ciclo de organização no setor de comércio e serviços da CTB.




