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Sindicomerciários defende fim da escala 6×1: “É uma demanda dos trabalhadores”

O Sindicato dos Empregados no Comércio de Novo Hamburgo, que representa mais de 20 mil trabalhadores de Novo Hamburgo, Campo Bom, Estância Velha, Ivoti e Dois Irmãos, defende o fim da escala 6×1 e acredita que a mudança pode trazer benefícios para a saúde física e mental dos trabalhadores, além de melhorar a qualidade de vida e a produtividade no ambiente de trabalho.

A posição foi apresentada pela presidente da entidade, Maria Cristina Silva Mendes, em entrevista ao DuduNews. O posicionamento surge como contraponto à  carta divulgada por entidades empresariais da região, que manifestaram preocupação com os possíveis impactos econômicos da proposta aprovada em segundo turno pela Câmara dos Deputados.

Para a dirigente sindical, muitas pessoas ainda não compreendem os impactos da escala 6×1 na rotina de quem trabalha no comércio e em serviços. Ela destaca que diversos trabalhadores têm apenas um dia de descanso por semana e, frequentemente, esse dia não coincide com o período de folga de familiares.

Segundo ela, a defesa da redução da jornada é uma reivindicação antiga dos trabalhadores, que ganhou força nacional em 2023 com o movimento Vida Além do Trabalho (VAT). “Não é uma demanda política, é uma demanda dos trabalhadores”, destaca.

Saúde mental e esgotamento

Entre os principais argumentos apresentados pelo sindicato está a preocupação com a saúde mental dos trabalhadores. Segundo Mendes, jornadas extensas e poucos períodos de descanso contribuem para o aumento de casos de estresse e burnout. “Não é por acaso que o Brasil ocupa uma das primeiras posições nos índices de burnout. As pessoas estão sendo cobradas cada vez mais e têm menos tempo para cuidar da própria saúde”, afirma.

A dirigente acredita que a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas pode ajudar a diminuir o desgaste físico e emocional dos trabalhadores.

Setor de farmácias é apontado como exemplo

O Sindicomerciários representa setores diversos do comércio, como gêneros alimentícios, varejo, autopeças, funerárias e farmácias. Com um “guarda-chuva” grande de empregados, as jornadas de trabalho diferem em cada setor, que tem sido um dos pontos discutidos dentro da PEC.

Mendes cita como exemplo a realidade de trabalhadores de farmácias, supermercados e lojas de shopping. Segundo ela, nesses setores é comum que funcionários trabalhem domingos e feriados consecutivos.

Ela relata que já foram encaminhadas denúncias ao Ministério Público do Trabalho envolvendo trabalhadoras que atuaram em datas como Natal e Ano Novo, recebendo apenas as folgas compensatórias previstas em lei. “Às vezes a empresa não está fazendo nada ilegal, mas está fazendo algo desumano. A legislação permite, mas isso não significa que seja saudável para quem trabalha”, afirma.

Livre negociação

Um dos pontos defendidos pelas entidades empresariais é a livre negociação entre patrões e empregados. Para o sindicato, porém, não existe equilíbrio nessa relação. Segundo Mendes, os trabalhadores possuem menor poder de negociação, especialmente em categorias sem estabilidade no emprego.

Ela afirma que o receio de demissões dificulta até mesmo a realização de greves e mobilizações. “Dizer que existe equilíbrio entre capital e trabalho é equivocado. O empregador sempre terá mais força na negociação”, argumenta.

Sindicato vê oportunidade

Enquanto entidades patronais alertam para riscos de desemprego, fechamento de empresas e aumento de custos, o sindicato avalia que a mudança pode gerar efeitos positivos no longo prazo.

A presidente acredita que trabalhadores mais descansados tendem a produzir melhor, além de terem mais tempo para estudar, se qualificar e consumir. “Esses trabalhadores também são consumidores. Com mais tempo livre, eles poderão movimentar a economia e melhorar sua qualidade de vida”, afirma.

A dirigente ainda cita estudos realizados após a redução da jornada de 48 para 44 horas semanais, na Constituição de 1988, que apontaram ganhos de produtividade sem os impactos negativos previstos à época.

Mais tempo para viver

Para o sindicato, o principal benefício da mudança seria permitir que os trabalhadores tenham mais tempo para a família, para a qualificação profissional, para o lazer e para os cuidados com a própria saúde. “Eu só vejo coisas boas. Daqui a alguns anos, acredito que vamos olhar para trás e perceber que essa mudança melhorou a vida dos trabalhadores e da sociedade como um todo”, conclui Cristina.

Foto da capa: Divulgação/Sindicomércios

Matéria: Dudunews.com.br

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