Violência contra a mulher, machismo, misoginia, assédio moral e sexual, desigualdade de direitos e o fim da escala de trabalho 6×1. Essas foram algumas das principais pautas do ato realizado neste domingo (8), em Porto Alegre, em alusão ao Dia Internacional da Mulher. A Fecosul esteve presente nessa grande mobilização que reuniu centenas de participantes e integrou uma jornada nacional de manifestações organizadas por entidades sindicais, movimentos sociais e organizações feministas em todo o Brasil.
Na capital gaúcha, cerca de 70 entidades participaram da atividade. A concentração ocorreu na Ponte de Pedra, no Largo dos Açorianos, de onde manifestantes seguiram em caminhada até a Praça do Aeromóvel, na Orla do Guaíba. Ao longo do trajeto, mulheres e apoiadores carregaram cartazes e faixas com denúncias contra a violência de gênero e em defesa de mais políticas públicas para proteger as mulheres.
Além da caminhada, o evento contou com apresentações culturais, feira de economia solidária e distribuição de materiais informativos sobre direitos e formas de enfrentar a violência.
A mobilização também chamou atenção para os altos índices de violência contra as mulheres. Somente no Rio Grande do Sul, 20 feminicídios já haviam sido registrados até o início de março de 2026. Para efeito de comparação, ao longo de todo o ano de 2025 foram contabilizados 80 casos no estado, o que reforça a urgência de políticas públicas mais efetivas de prevenção e proteção.
A secretária de Mulheres da Fecosul, Crislaine Carneiro, destacou que o combate à violência precisa ser enfrentado de forma estrutural e coletiva. Para ela, os dados mostram a gravidade do cenário e a necessidade de ampliar a proteção às mulheres. “Em 2025, foram registrados 1.548 feminicídios no Brasil, quase quatro mulheres assassinadas por dia. A maioria é de mulheres mortas dentro de casa, muitas vezes por companheiros ou ex-companheiros. Essa violência não fica restrita ao espaço privado: ela se espalha pelo mundo do trabalho, pela política, pelas ruas e também pelas redes sociais.”
Outro tema presente na mobilização foi a luta pelo fim da escala de trabalho 6×1, pauta que tem ganhado força em todo o país. Para as entidades sindicais, a redução da jornada é fundamental para melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores, especialmente das mulheres, que muitas vezes enfrentam jornadas duplas ou triplas entre o trabalho formal e as responsabilidades domésticas.
O presidente da Fecosul, Guiomar Vidor, destacou que as mobilizações do 8 de março demonstram que o país está atento às pautas que impactam diretamente a vida das mulheres. “O Brasil está mobilizado contra essas pautas que estão diretamente ligadas às lutas das mulheres. Nós, como representantes de entidades sindicais, estaremos constantemente cobrando mais políticas públicas e leis que defendam as mulheres em todos os espaços, seja em casa, na rua ou no seu local de trabalho.”
O Dia Internacional da Mulher foi marcado por manifestações em diversas cidades brasileiras. Em todo o país, as mobilizações reforçaram pautas como o combate à violência de gênero, igualdade salarial, direitos trabalhistas e justiça social.
Como buscar ajuda
Mulheres que estejam em situação de violência podem procurar ajuda por meio dos seguintes canais:
Brigada Militar – 190
Se a violência estiver acontecendo naquele momento, a vítima ou qualquer pessoa pode ligar imediatamente para o 190. O atendimento é 24 horas.
Central de Atendimento à Mulher – Disque 180
Serviço gratuito que recebe denúncias, orienta sobre direitos e encaminha as vítimas para atendimento especializado. Funciona 24 horas por dia em todo o Brasil.
Delegacias da Mulher ou Delegacias de Polícia
A vítima pode registrar ocorrência e solicitar medidas protetivas. Também é possível fazer o registro pela Delegacia Online.
Defensoria Pública – 0800 644 5556
Oferece orientação jurídica gratuita para mulheres em situação de violência.
Centros de Referência de Atendimento à Mulher
Espaços que oferecem acolhimento psicológico, social e orientação jurídica.



















