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Trabalhador doente, estado ausente: Sintratel participa de debate sobre crise de saúde mental e precarização no telemarketing

“Quando o estado sabe que existe [a violação de direitos], ele vê que existe, ele tem a prova e ele nega, ele faz parte do sistema de exploração de adoecimento do trabalhador. (…) As pessoas do telemarketing são “suicidadas”. Isso não é contabilizado, não é falado, não é medido.” Essa foi uma das falas da presidenta do Sintratel RS, Crislaine Carneiro, durante o “Encontro: Discussão do Adoecimento no Teleatendimento/Telemarketing” que aconteceu nesta quinta-feira, 5 de março, no auditório da Fundacentro, em São Paulo.

O evento contou com a presença do público e foi transmitido ao vivo pelo canal do YouTube da entidade. O debate reuniu trabalhadores, sindicatos e empregadores para lançar luz sobre um ambiente profissional frequentemente marcado por ritmos intensos, ausência de pausas e graves riscos psicossociais. Além de Crislaine, o vice-presidente do Sintratel RS, Elder dos Santos, também esteve presente para trazer à tona a dura realidade enfrentada por quem atua nas centrais de atendimento.

Na sua fala, em um relato contundente, Crislaine denunciou que o assédio moral no setor é “estrutural” e ilustrou a gravidade do problema citando um caso em que um operador procurou o sindicato para relatar abusos e, apenas uma hora depois, a supervisora denunciada também ligou para o sindicato para acusar a coordenadora. É um ciclo sem fim.

Para a dirigente, a lógica do setor impõe que o lucro das empresas esteja “acima de tudo e de todos”, operando em um cenário de forte disparidade nas negociações trabalhistas, agravado após a reforma trabalhista. Apesar de existirem raros acordos positivos – como escalas de 4×3 e pisos salariais melhores -, Crislaine alerta que essa “não é a regra”, o que torna urgente a presença do Estado para garantir a saúde e prevenir o adoecimento crônico da categoria.

A maquiagem do Burnout e a negligência governamental

Coordenado por Remígio Todeschini e Cleiton Faria Lima, da Diretoria de Conhecimento e Tecnologia (DCT) da Fundacentro, o encontro reforçou a importância da aplicação da Norma Regulamentadora 17 (NR-17), em especial seu Anexo II, focado nas atividades de telemarketing. A norma busca garantir o máximo de conforto, segurança e saúde.

No entanto, a prática nas empresas desafia a legislação. Crislaine denunciou a recusa sistemática das empresas em emitir a Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) e a negligência dos peritos do INSS e médicos corporativos em atestar a Síndrome de Burnout. A dirigente acusa os médicos de ignorarem a “estrutura doente de trabalho”, preferindo culpar o estilo de vida do trabalhador, como o uso de transporte público ou o fato de morarem em regiões periféricas.

Ela aponta que as multas aplicadas pelo descumprimento de Termos de Ajustamento de Conduta (TAC) são irrisórias, criando um cenário onde o descumprimento de leis compensa financeiramente. Compartilhando sua própria vivência, a presidenta relatou já ter sofrido com o Burnout e com a redução de sua audição devido ao tempo excessivo nas posições de atendimento (PAs).

Metas inatingíveis, dependência emocional e o risco à vida

O debate também evidenciou um recorte social profundo: o setor é composto majoritariamente por mulheres, mães solo, pessoas negras de periferia e a população LGBTQIA+. Trata-se de um nicho vulnerável, frequentemente transformado em “refém” de remunerações variáveis. As empresas dobram sucessivamente as metas de atendimento, levando as trabalhadoras a um ciclo de falha constante, onde o adoecimento surge não por causa das metas abusivas, mas pela falsa crença de incapacidade pessoal.

A manipulação psicológica gera o que Crislaine descreve como uma perigosa “dependência emocional” do trabalhador que faz com que ele não consiga nem se desligar da empresa. O impacto dessa violência invisível atinge extremos: a dirigente relatou o episódio de uma trabalhadora que, após uma sessão de “feedback”, saiu correndo em direção ao metrô e quase tirou a própria vida. Segundo ela, os operadores não se suicidam de forma isolada, eles são “suicidados” por um sistema exaustivo e alienante que não contabiliza seus mortos.

Para isso, é preciso cobrar constantemente que as instituições respeitem às normas da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e também reforçar a responsabilidade do Estado.

Encaminhamentos e propostas

Ao final do encontro, os participantes destacaram que o debate marca o início de uma mobilização mais ampla para atualizar as regras que regem o setor. A proposta é iniciar um processo de discussão para revisão da Norma Regulamentadora 17, especialmente do Anexo II, que trata das atividades de teleatendimento e telemarketing.

Desde a criação da norma houve profundas mudanças nas ferramentas e nas formas de organização do trabalho no setor, o que exige uma atualização da regulamentação. Entre os pontos defendidos está a construção de uma norma que efetivamente proteja a saúde dos trabalhadores e previna doenças ocupacionais, além da defesa da redução da jornada de trabalho para 30 horas semanais, com limite de 6 horas diárias, medida considerada fundamental para reduzir o adoecimento na categoria.

Encerrando sua participação, Crislaine reafirmou a importância de reconhecer o papel social desempenhado pelos trabalhadores do setor. “Nós não perturbamos ninguém. Nós atendemos no SAMU, atendemos quando alguém sofre fraude no cartão de crédito, quando precisa resolver um problema. Nós prestamos um serviço essencial para a sociedade”, afirmou. “Chegamos a um momento em que não há mais como nos calar”, finalizou.

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FECOSUL RS participa da II Conferência Nacional do Trabalho e reforça luta pela jornada de 40 horas

A Federação dos Empregados no Comércio de Bens e de Serviços do Rio Grande do Sul (FECOSUL RS) participa da II Conferência Nacional do Trabalho, realizada entre os dias 3 e 5 de março, no Centro de Convenções Anhembi, em São Paulo. O encontro reúne lideranças sindicais, representantes do governo federal, do setor empresarial e especialistas para debater os desafios do mundo do trabalho e construir propostas para fortalecer o emprego e os direitos trabalhistas no Brasil.

Representando a federação, o presidente da FECOSUL RS, Guiomar Vidor, acompanha os debates sobre o futuro das relações de trabalho e a necessidade de valorização dos trabalhadores e trabalhadoras do comércio e dos serviços. A delegação gaúcha contou também com a presença do presidente da CTB RS, Rodrigo Callais, da dirigente do Sindicomerciários Caxias, Ivanir Perrone, e Orildes Lotice, do SEC de Bento Gonçalves, ambas também da diretoria FECOSUL, reforçando a participação do movimento sindical do Rio Grande do Sul no debate nacional sobre políticas públicas para o trabalho.

A cerimônia de abertura da conferência ocorreu no Teatro Celso Furtado, também no complexo do Anhembi, e contou com a presença do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, do ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, além de representantes das centrais sindicais de todo o país.

Redução da jornada e fim da escala 6×1

Entre os principais temas debatidos na conferência está a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais sem redução de salários, pauta histórica do movimento sindical e especialmente importante para trabalhadores do comércio e serviços, setores que ainda convivem com jornadas extensas e escalas desgastantes.

Para o presidente da FECOSUL RS, Guiomar Vidor, a discussão sobre a jornada é central para melhorar a qualidade de vida da classe trabalhadora. “A redução da jornada para 40 horas semanais, com a adoção da escala 5×2, representa mais tempo para a vida, para a família e para o convívio social. Além disso, é uma medida que pode gerar empregos e distribuir melhor os ganhos de produtividade da economia”, destaca.

Debate sobre o futuro do trabalho

A II Conferência Nacional do Trabalho integra um processo de diálogo social promovido pelo Ministério do Trabalho e Emprego, reunindo representantes de trabalhadores, empregadores e governo para discutir temas como negociação coletiva, proteção social, impacto das novas tecnologias e geração de empregos.

Para a FECOSUL RS, a participação nesses espaços é fundamental para garantir que a voz dos trabalhadores do comércio e dos serviços esteja presente nas decisões que impactam diretamente suas condições de trabalho e de vida.

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Trabalhadores comerciários de todo o país realizam caminhada histórica em Caxias do Sul pelo fim da escala 6×1

Uma grande caminhada pelas ruas centrais de Caxias do Sul marcou o encerramento do 1º Encontro Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Comércio e Serviços da CTB. Realizado entre os dias 25 e 27 de fevereiro, o encontro reuniu mais de 200 representantes sindicais de todo o Brasil na Serra Gaúcha e consolidou a defesa do fim da escala 6×1 como prioridade nacional da categoria.

A mobilização teve início no final da manhã desta sexta-feira (27), com saída da sede do Sindicomerciários Caxias — local onde ocorreram os debates e painéis do encontro — e percorreu as principais ruas do centro da cidade. Com bandeiras, faixas e palavras de ordem, os manifestantes dialogaram com comerciários, trabalhadores do setor de serviços e a população, denunciando os impactos da jornada exaustiva e defendendo mais tempo para viver.

O ato público expressou a unidade construída ao longo dos três dias de debates e reafirmou que a luta pela redução da jornada é hoje uma das principais bandeiras da classe trabalhadora brasileira.

Para o presidente da FECOSUL-RS, Guiomar Vidor, o fim da escala 6×1 representa uma mudança estrutural na qualidade de vida dos trabalhadores. “Não estamos falando apenas de organização da jornada, mas de saúde, de convivência familiar e de dignidade. O Brasil precisa avançar para a jornada de 40 horas semanais sem redução salarial. O desenvolvimento econômico não pode continuar sendo sustentado pelo esgotamento físico e mental de quem trabalha”, afirmou.

Já o presidente do Sindicomerciários Caxias, Nilvo Riboldi Filho, destacou o simbolismo de Caxias do Sul sediar o encontro e a caminhada. “A mobilização nas ruas mostra que essa pauta saiu das salas de debate e ganhou o coração da categoria. A cidade sentiu a força dos trabalhadores organizados. O fim da escala 6×1 é uma reivindicação concreta de quem quer viver com mais equilíbrio e respeito.” Nilvo também reafirmou o apoio da classe trabalhadora ao Projeto de Lei da deputada federal Daiana Santos (PL 67/2025) que estabelece o fim da escala 6×1 e a redução da jornada para 40 horas sem redução dos salários, também com a adoção da escala 5×2, com dois dias consecutivos de folga.

O presidente do Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro, Marcio Ayer, reforçou o caráter nacional da luta. “O que vimos aqui é a construção de uma agenda unificada do comércio e serviços em todo o país. A escala 6×1 é um modelo ultrapassado, que adoece e precariza. Vamos ampliar essa mobilização nos estados e pressionar o Congresso Nacional para que avance na redução da jornada.”

Carta de Caxias do Sul consolida resoluções

Como resultado do encontro, foi aprovada a “Carta de Caxias do Sul: Pela dignidade, saúde e reconquista de direitos dos trabalhadores e trabalhadoras do comércio e serviços”, documento que sistematiza as principais resoluções políticas da categoria .

Entre os pontos centrais aprovados estão:

• Fim imediato da escala 6×1, com apoio ao Projeto de Lei nº 67/2025, que estabelece jornada máxima de 40 horas semanais, sem redução salarial, e a adoção da escala 5×2;

• Implementação rigorosa da nova NR-1, com inclusão obrigatória dos riscos psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais, enfrentando o adoecimento mental no trabalho;

• Revogação integral da reforma trabalhista de 2017, considerada responsável pela ampliação da precarização, do trabalho intermitente e da pejotização;

• Defesa do uso da tecnologia como instrumento de libertação, e não de controle e intensificação da exploração;

• Fortalecimento da luta política, com a eleição de uma bancada comprometida com os direitos da classe trabalhadora.

O documento afirma que o fim da escala 6×1 “só será real com a efetiva redução da jornada” e rejeita qualquer tentativa de concentrar 44 horas em cinco dias úteis, o que ampliaria o desgaste físico e mental dos trabalhadores .

Ao final da caminhada, os participantes reafirmaram que o movimento seguirá mobilizado em todo o país. O encontro, além de histórico, consolidou uma agenda nacional de luta e apontou para um novo ciclo de organização no setor de comércio e serviços da CTB.

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Sintratel-RS denuncia precarização e cobra piso nacional em audiência no Senado sobre regulamentação do telemarketing

“Desenvolvimento econômico e dignidade humana não são valores opostos”. Foi com essa afirmação que a presidente do Sintratel-RS, Crislaine Carneiro, marcou sua participação na audiência pública da Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado, que debateu a regulamentação da profissão de operador de telemarketing e a criação de um piso salarial nacional para a categoria.

Mesmo à distância, por motivo de força maior que a impediu de estar presencialmente em Brasília – como era sua intenção -, Crislane fez uma intervenção firme e política, defendendo que o Congresso Nacional tem diante de si uma decisão histórica para mais de 1,4 milhão de trabalhadores e trabalhadoras no Brasil.

Durante sua fala, a dirigente denunciou o que classificou como prática recorrente de dumping social no setor. Segundo ela, “determinadas empresas estruturam os seus modelos de negócio com base na redução artificial dos custos e por meio sistemático de fragilização dos direitos fundamentais”, criando um ambiente marcado pela precarização e pela vulnerabilidade.

Crislaine também chamou atenção para o perfil social da categoria. “Nós estamos falando de uma categoria em um setor que produz em escala concentrada uma desigualdade estrutural de gênero, raça, classe e sexualidade do país”, afirmou. A maioria dos trabalhadores do telemarketing é composta por mulheres, pessoas negras e integrantes da comunidade LGBTQIA+, grupos que, segundo ela, enfrentam jornadas exaustivas, vigilância excessiva e alto índice de adoecimento, incluindo casos de burnout e sofrimento psíquico.

A audiência foi realizada por iniciativa do senador Paulo Paim, relator do PLS 447/2016, que trata da regulamentação da profissão e da criação de um piso salarial nacional. O projeto, originado de sugestão legislativa da própria categoria, já foi aprovado na Comissão de Direitos Humanos e agora avança no debate dentro do Senado.

Ao encerrar sua participação, a presidente do Sintratel-RS reforçou que a aprovação do projeto representa mais do que um reajuste salarial: trata-se de garantir dignidade frente à precarização histórica do setor e aos impactos crescentes da automação e da inteligência artificial.

Para o Sintratel-RS, o debate no Senado representa um passo importante em uma luta que se arrasta há anos e que envolve o reconhecimento, a valorização e a proteção de uma categoria essencial para o funcionamento de inúmeros serviços no país.

Deputada Daiana Santos na Comissão do Trabalho (Foto: Richard Silva/PCdoB na Câmara)

Projeto de Daiana Santos pelo fim da escala 6×1 ganha força e será votado em março

A Comissão do Trabalho da Câmara dos Deputados vai votar no dia 11 de março o projeto de lei (67/2025), de autoria da deputada Daiana Santos (PCdoB-RS), que reduz a jornada de trabalho das atuais 44 para 40 horas semanais e institui a escala 5×2, em substituição a 6×1 (seis dias de trabalho para um de descanso).

“Só para ninguém ser pego de surpresa, vamos pautar o projeto de lei de autoria da deputada Daiana e que foi relatado pelo deputado Leo Prates (PDT-BA) em relação à queda da 6×1”, anuncia o deputado Max Lemos (PDT-RJ), eleito nesta quarta-feira (25) presidente do colegiado.

O parlamentar considera que a proposta está madura para ser votada em que pese o fato de o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), ter encaminhado para o debate uma proposta de emenda à Constituição (PEC).

“Nós vamos tocar o rito normal. Tem aqui um projeto de lei que está maduro. O que nós vamos fazer é dar mais uma semana para bate-papo sobre esse tema e colocar isso em pauta”, diz.

Ao agradecer o novo presidente da comissão, Daiana lembra que a proposta consumiu “um ano de trabalho árduo” envolvendo articulações e debates em nível nacional com diversos setores e o Fórum das Centrais Sindicais.

“Ouvimos tanto os movimentos sindicais quanto a sociedade para fazer uma construção justa de todos os lados. É um projeto que se mostra cada vez mais urgente e necessário e está maduro. Falo isso considerando que o próprio governo federal já tem se mobilizado e apresentado essa alternativa das 40 horas sem nenhuma redução salarial e daquilo que o trabalhador já tem como garantia”, afirma.

Daiana destaca ainda que o projeto foi “construído a muitas mãos e muitas mentes” para dar conta de uma necessidade urgente do trabalhador. “Acho que essa Casa ganha muito a partir do momento que a gente se debruça sobre um tema que é unânime na nossa sociedade”, observa.

Ela ressalta que diversos setores da economia do país já estão reduzindo a jornada e acabando com a escala, a exemplo de um Atacadão em Brasília, e empresas de Pelotas (RS), do interior de São Paulo e do Rio de Janeiro.

“Essa redução já está acontecendo em grandes redes varejistas, atacadistas, supermercados e no comércio em geral. Se isso já está acontecendo, nossa responsabilidade é transformar em legislação. O projeto está maduro”, justifica.

O vice-líder do governo no Congresso, Daniel Almeida (PCdoB-BA), parabenizou Lemos por pautar o projeto de Daiana e diz que a sociedade e os trabalhadores esperam por uma deliberação do parlamento.

“O lugar apropriado para continuar tratando desse assunto, e o melhor caminho, é esta Comissão do Trabalho”, avalia.

Relator

Nesta terça-feira (24), Hugo Motta designou o deputado Paulo Azi (União-BA) para relatar na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) as PECs sobre o assunto, uma da deputada Erika Hilton (Psol-SP) e a outra do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG).

Caso sejam aprovados, os textos serão analisados por uma comissão especial e, depois, pelo plenário da Câmara dos Deputados. Os projetos podem ser apensados para tramitarem juntos.

Motta já sinalizou que quer avançar com os debates e entregar um projeto para o Senado antes de maio. A programação dele foi lida como uma possível promulgação do texto no Dia do Trabalhador, 1º de maio.

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Dirigentes participam de debate sobre saúde do trabalhador no Encontro Nacional de Trabalhadores do Comércio

A diretora do Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro, Daniele Moretti, o secretário-geral da Fecosul, Fernando Lemos, a psicóloga Sâmia Ciliato, o gerente regional do Ministério do Trabalho em Caxias do Sul, Vanius Corte, o professor e pesquisador Rodrigo Ribeiro e o juiz do Trabalho Dr. Marcelo Porto participaram do debate sobre saúde do trabalhador no segundo dia do 1º Encontro Nacional de Trabalhadores de Comércio e Serviços da CTB.

O segundo dia do encontro foi marcado por uma ampla discussão sobre saúde e prevenção no ambiente de trabalho. A primeira debatedora, Sâmia Ciliato, psicóloga com foco em Gestão de Pessoas e Psicologia Organizacional, destacou a importância da Norma Regulamentadora 1 (NR-1), que estabelece diretrizes gerais de segurança e saúde no trabalho. Ela chamou atenção para os cuidados com a saúde mental e a necessidade de ações permanentes de prevenção dentro das empresas.

Na mesma linha, Vanius Corte reforçou a relevância da NR-1 para a proteção dos trabalhadores e alertou que o setor empresarial tem pressionado por novo adiamento da entrada em vigor da norma. Segundo ele, os números são alarmantes: em 2025 foram registrados 760 mil acidentes de trabalho no país, além de mais de 4,1 milhões de benefícios concedidos pelo INSS por incapacidade temporária. “Não dá pra admitir ambiente de trabalho que causa problemas de saúde ou morte, eles devem ser seguros e saudáveis”, afirmou.

O professor e pesquisador Rodrigo Ribeiro apresentou um estudo baseado em denúncias feitas por trabalhadores do Rio de Janeiro ao sindicato da categoria nos anos de 2024 e 2025. Ao todo, foram 2.225 denúncias no período, retratando conflitos, violações de direitos e insatisfação no ambiente laboral. Entre os principais problemas apontados estão o trabalho aos domingos e feriados, jornadas prolongadas e o calor excessivo na capital fluminense.

Encerrando as exposições, o juiz do Trabalho Dr. Marcelo Porto relatou casos de trabalhadores que adoeceram em decorrência das condições de trabalho. “As pessoas estão trabalhando doentes, estão adoeA diretora do Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro, Daniele Moretti, o secretário-geral da Fecosul, Fernando Lemos, a psicóloga Sâmia Ciliato, o gerente regional do Ministério do Trabalho em Caxias do Sul, Vanius Corte, o professor e pesquisador Rodrigo Ribeiro e o juiz do Trabalho Dr. Marcelo Porto participaram do debate sobre saúde do trabalhador no segundo dia do 1º Encontro Nacional de Trabalhadores de Comércio e Serviços da CTB.

O segundo dia do encontro foi marcado por uma ampla discussão sobre saúde e prevenção no ambiente de trabalho. A primeira debatedora, Sâmia Ciliato, psicóloga com foco em Gestão de Pessoas e Psicologia Organizacional, destacou a importância da Norma Regulamentadora 1 (NR-1), que estabelece diretrizes gerais de segurança e saúde no trabalho. Ela chamou atenção para os cuidados com a saúde mental e a necessidade de ações permanentes de prevenção dentro das empresas.

Na mesma linha, Vanius Corte reforçou a relevância da NR-1 para a proteção dos trabalhadores e alertou que o setor empresarial tem pressionado por novo adiamento da entrada em vigor da norma. Segundo ele, os números são alarmantes: em 2025 foram registrados 760 mil acidentes de trabalho no país, além de mais de 4,1 milhões de benefícios concedidos pelo INSS por incapacidade temporária. “Não dá pra admitir ambiente de trabalho que causa problemas de saúde ou morte, eles devem ser seguros e saudáveis”, afirmou.

O professor e pesquisador Rodrigo Ribeiro apresentou um estudo baseado em denúncias feitas por trabalhadores do Rio de Janeiro ao sindicato da categoria nos anos de 2024 e 2025. Ao todo, foram 2.225 denúncias no período, retratando conflitos, violações de direitos e insatisfação no ambiente laboral. Entre os principais problemas apontados estão o trabalho aos domingos e feriados, jornadas prolongadas e o calor excessivo na capital fluminense.

Encerrando as exposições, o juiz do Trabalho Dr. Marcelo Porto relatou casos de trabalhadores que adoeceram em decorrência das condições de trabalho. “As pessoas estão trabalhando doentes, estão adoecendo pela pressão, necessidade de bater metas, relações tóxicas, ansiedade. Dentro das empresas, as Cipas podem ter um papel importante, com um poder de fiscalização muito grande”, explicou.

A mesa foi coordenada por Daniele Moretti e Fernando Lemos, que conduziram o debate com a participação dos cerca de 160 dirigentes sindicais presentes.

O 1º Encontro Nacional de Trabalhadores de Comércio e Serviços da CTB, iniciado na quarta-feira, segue até esta sexta-feira (27), em Caxias do Sul (RS), reunindo representantes de todo o país para debater os principais desafios da categoria.cendo pela pressão, necessidade de bater metas, relações tóxicas, ansiedade. Dentro das empresas, as Cipas podem ter um papel importante, com um poder de fiscalização muito grande”, explicou.

A mesa foi coordenada por Daniele Moretti e Fernando Lemos, que conduziram o debate com a participação dos cerca de 160 dirigentes sindicais presentes.

O 1º Encontro Nacional de Trabalhadores de Comércio e Serviços da CTB, iniciado na quarta-feira, segue até esta sexta-feira (27), em Caxias do Sul (RS), reunindo representantes de todo o país para debater os principais desafios da categoria.

EDITAL

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EXTRATO DE CONVENÇÕES COLETIVAS DE TRABALHO – 2025

A FEDERAÇÃO DOS EMPREGADOS NO COMÉRCIO DE BENS E DE SERVIÇOS DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL – FECOSUL, entidade sindical de 2º grau, CNPJ 92.832.690/0001-63, com sede na Rua dos Andradas, nº 943/701, Centro, Porto Alegre/RS, vem tornar público para todos os empregados no comércio das respectivas categorias profissionais, na área de abrangência dos municípios inorganizados sindicalmente o extrato da CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO firmada com o SINDICATO DO COMERCIO VAREJISTA DE GRAVATAÍ (MR007414/2026 – 2025/2026 para a cidade de Glorinha/RS), com data base em 1º MARÇO. Nelas estão definidas, dentre outras, as cláusulas de Reajuste geral dos salários; Pisos; Quinquênios; Auxílio creche; e Contribuição negocial, sendo esta com direito de oposição às contribuições aprovadas na Assembleia Geral da Categoria e estabelecidas no respectivo instrumento Coletivo, sendo manifestado individualmente, por documento escrito, com identificação legível do nome do empregado, n° de CPF do empregado e CNPJ do empregador, sendo entregue pelo interessado e assinado na sede da FEDERAÇÃO, na Rua dos Andradas, n° 943, 7° andar, Centro Histórico, Porto Alegrete/RS, das 8 horas e 30 minutos às 17 horas de segunda a sexta-feira, e no prazo de até 10 (dez) dias, a contar da publicação do presente edital, nos termos da Convenção Coletiva aqui identificada. Não havendo sede da entidade na cidade onde o empregado presta serviço a carta individual poderá ser remetida pelos correios no mesmo prazo, por meio de carta registrada com aviso de recebimento, para o Rua dos Andradas, n° 943, 7° andar, Centro Histórico, Porto Alegre/RS – CEP 90.020-005, no prazo de até 10 (dez) dias, a contar da publicação do presente edital, nos termos da Convenção Coletiva aqui identificada, cuja íntegra poderá ser acessada no site www.fecosul.com.br.    

Porto Alegre/RS, 24 de fevereiro de 2026.

GUIOMAR VIDOR

Presidente da FECOSUL

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Caxias do Sul sedia o 1º Encontro Nacional de Trabalhadores de Comércio e Serviços da CTB

Durante os dias 25,26 e 27 de fevereiro de 2026, o auditório do Sindicomerciários Caxias receberá 17 debatedores para abordar 8 temas sobre a luta dos comerciários e comerciárias pelo fim da escala 6×1

Aproximadamente 150 dirigentes sindicais de todo o país estarão reunidos nos dias 25,26 e 27 de fevereiro em Caxias do Sul para participar do 1º Encontro Nacional de Trabalhadores de Comércio e Serviços da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil – CTB. O evento, que acontecerá no auditório do Sindicomerciários Caxias, contará com 17 debatedores e 8 temas de discussão, sendo um dos principais temas o FIM DA ESCALA 6X1, POR MAIS VIDA ALÉM DO TRABALHO.

O encontro  abordará temas como a conjuntura nacional e internacional e o mercado de trabalho; NR-01 – Riscos Psicossociais: o olhar da psicologia, da fiscalização e da justiça; a participação das mulheres e da juventude no movimento sindical e na política; a luta pelo descanso semanal remunerado e a redução da jornada de trabalho – Fim da escala 6×1; as mudanças no setor do comércio e serviços e os impactos na organização sindical e do trabalho; e a precarização nas relações de trabalho no setor do comércio e serviços – análise e formas de enfrentamento.

FIM DA ESCALA 6X1 E A LUTA POR VIDA ALÉM DO TRABALHO

Entre os debatedores convidados para o evento estão Daiana Santos, deputada federal (PCdoB-RS), autora do projeto de lei (PL 67/2025) que pode representar um grande avanço para os trabalhadores brasileiros, especialmente para os comerciários. A proposta prevê a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais e garante pelo menos dois dias consecutivos de descanso remunerado, colocando fim à escala 6×1 tão comum no comércio. Lúcia Garcia, graduada em Ciências Econômicas e mestre em Economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Técnica do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE). Especializada em estudos do trabalho e nas técnicas de medição do mercado de trabalho. É docente da Escola de Ciências do Trabalho do DIEESE desde 2006. Sâmia Ciliato, psicóloga com foco em gestão de pessoas e psicologia organizacional, e, Ricardo Maldonado:  líder sindical chileno, atualmente servindo como presidente da Confederación de Trabajadores del Transporte Terrestre (CONUTT) e como membro do conselho executivo da Central Unitaria de Trabajadores de Chile.

Também fazem parte das mesas debatedoras, Nivaldo Santana, dirigente sindical, atuando como Secretário de Relações Internacionais da CTB; Adilson Araújo, presidente nacional da CTB; Ronaldo Leite, secretário geral da CTB nacional; Vânius Corte, Gerente Regional do Trabalho de Caxias do Sul e auditor-fiscal do Trabalho; Rodrigo Ribeiro, professor e pesquisador; Dr. Marcelo Porto, juiz do Trabalho; Abgail Pereira, ex-secretária da Mulher CTB Nacional e ex-secretária do Turismo do RS; Henrique Domingues, secretário da Juventude CTB Nacional; Clomar Porto, assessor de comunicação CTB RS; Marcos Pereira, assessor de comunicação SEC RJ; Guiomar Vidor, presidente FECOSUL e vice-Presidente CNTC; Márcio Ayer, presidente SEC RJ e coordenador da secretaria do Comércio e Serviços da CTB e, Dr. Luiz Alberto de Vargas, desembargador do TRTR-4.

Para Guiomar Vidor, presidente FECOSUL e vice-Presidente CNTC, um dos palestrantes convidados, ”O sindicalismo brasileiro inicia o ano de 2026 com a meta unitária de mobilizar a classe trabalhadora para conquistar a redução da jornada de trabalho e o fim da exaustiva escala 6×1. Fortalecidos pelos recentes  acenos do governo federal, dirigentes sindicais planejam uma ‘grande onda nacional’ para converter o debate em lei ainda neste primeiro
semestre, aproveitando a janela política do ano eleitoral”. Neste ano obtivemos uma grande conquista com a isenção do Imposto de Renda (IR) para os trabalhadores que ganham até R$ 5 mil reais, “agora precisamos lutar por qualidade de vida também! ”

Nilvo Riboldi Filho, presidente do Sindicomerciários Caxias, demostra a satisfação de estar sediando o evento, que promete fomentar a discussão sobre os principais temas do mundo sindical, em especial aos comerciários e comerciárias. “O fim da escala 6×1 é nossa principal bandeira, e contamos com o apoio da categoria para fazer a discussão, a luta. O debate sobre a redução da jornada avança de forma simultânea na Câmara dos Deputados e no Senado Federal. O PL 67/2025, da deputada Daiana Santos, tramita na Comissão do Trabalho e dialoga diretamente com a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) apresentada pelo senador Paulo Paim (PT). O projeto prevê a redução da jornada para no máximo 40 horas semanais, além da garantia de dois dias de repouso remunerado por semana”. Nilvo finaliza afirmando que “o evento vai fortalecer e fomentar a luta de cada trabalhador e trabalhadora por ter mais tempo com suas famílias, além de representar mais saúde mental, já que nos deparamos com um crescimento assustador na busca por ajuda psicológica e psiquiátrica dos trabalhadores, causados principalmente pela exaustão”.

Veja a programação completa do evento neste:

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EDITAL

EXTRATO DE CONVENÇÕES COLETIVAS DE TRABALHO – 2025

A FEDERAÇÃO DOS EMPREGADOS NO COMÉRCIO DE BENS E DE SERVIÇOS DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL – FECOSUL, entidade sindical de 2º grau, CNPJ 92.832.690/0001-63, com sede na Rua dos Andradas, nº 943/701, Centro, Porto Alegre/RS, vem tornar público para todos os empregados no comércio das respectivas categorias profissionais, na área de abrangência dos municípios inorganizados sindicalmente (Dilermando de Aguiar/RS, Itaara/RS, Jari/RS, Quevedos/RS, São Martinho da Serra/RS, São Pedro do Sul/RS, Silveira Martins/RS e Toropi/RS.), o extrato da CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO firmada com o SINDICATO DO COMERCIO LOJISTA DE SANTA MARIA (MR08560/2025 – 2025/2026), com data base em 1º MARÇO. Nelas estão definidas, dentre outras, as cláusulas de Reajuste geral dos salários; Pisos; Quinquênios; Auxílio creche; e Contribuição negocial, sendo esta com direito de oposição às contribuições aprovadas na Assembleia Geral da Categoria e estabelecidas no respectivo instrumento Coletivo, sendo manifestado individualmente, por documento escrito, com identificação legível do nome do empregado, n° de CPF do empregado e CNPJ do empregador, sendo entregue pelo interessado e assinado na sede da FEDERAÇÃO, na Rua dos Andradas, n° 943, 7° andar, Centro Histórico, Porto Alegrete/RS, das 8 horas e 30 minutos às 17 horas de segunda a sexta-feira, e no prazo de até 10 (dez) dias, a contar da publicação do presente edital, nos termos da Convenção Coletiva aqui identificada. Não havendo sede da entidade na cidade onde o empregado presta serviço a carta individual poderá ser remetida pelos correios no mesmo prazo, por meio de carta registrada com aviso de recebimento, para o Rua dos Andradas, n° 943, 7° andar, Centro Histórico, Porto Alegre/RS – CEP 90.020-005, no prazo de até 10 (dez) dias, a contar da publicação do presente edital, nos termos da Convenção Coletiva aqui identificada, cuja íntegra poderá ser acessada no site www.fecosul.com.br.    

Porto Alegre/RS, 21 de fevereiro de 2025.

GUIOMAR VIDOR

Presidente da FECOSUL

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Pauta do reajuste para o Salário Mínimo Regional teve primeira reunião entre Governo, empresários e trabalhadores no RS

O Governo do Rio Grande do Sul realizou nesta quinta-feira, 12 de fevereiro, a primeira rodada de negociações entre entidades empresariais e representantes dos trabalhadores para definir o índice de reajuste do Salário-Mínimo Regional de 2026. O encontro ocorreu sob mediação da Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social, conforme o rito previsto no Decreto nº 57.502, de 12 de março de 2024, que instituiu o Comitê de Política de Valorização do Piso Salarial do Estado.

A reunião marcou o início oficial do calendário de debates e abriu espaço para a apresentação das primeiras propostas das partes envolvidas. Estão previstas ao todo três rodadas de negociação, com o objetivo de buscar consenso até o encontro final, agendado para 10 de março. Caso não haja acordo, a Secretaria deverá elaborar um relatório conclusivo e encaminhá-lo à Casa Civil até 30 de março de 2026, para posterior deliberação do governador e envio de projeto de lei à Assembleia Legislativa com os novos valores das faixas salariais, que deverão vigorar a partir de 1º de maio de 2026.

Propostas das centrais sindicais apresentadas na mesa

Durante a primeira reunião, as centrais sindicais apresentaram uma proposta unificada de reajuste e de fortalecimento da política permanente do piso regional. Entre os principais pontos defendidos estão:
• Reajuste total de 15,98% a partir de maio de 2026;
• Inclusão do piso regional na Constituição Estadual, com critérios permanentes de reajuste baseados no crescimento econômico e na inflação;
• Garantia do piso como vencimento mínimo aos servidores públicos estaduais, incorporando o dispositivo à legislação.

O presidente da Fecosul, Guiomar Vidor, que integra a comissão das centrais sindicais na mesa de negociação, destacou que a proposta foi construída coletivamente e dialoga com o cenário econômico e social do estado. Segundo ele, dados do Novo CAGED apontam a criação de 1,62 milhão de novos postos de trabalho no Rio Grande do Sul em 2025, o que reforça, na avaliação das entidades laborais, o impacto positivo da valorização salarial sobre o consumo e a economia.

Vidor também ressaltou o peso das despesas essenciais no orçamento das famílias gaúchas. Pesquisa recente da Serasa indica que mais da metade da renda familiar é destinada a gastos como alimentação, moradia e serviços, com 53% dos entrevistados relatando dificuldade para manter as contas em dia. O custo individual médio mensal estimado é de R$ 3.360, valor superior aos pisos atualmente praticados nas cinco faixas do salário mínimo regional.

Comparativo com estados vizinhos entra no debate

Outro ponto levado à mesa pelas lideranças sindicais foi o comparativo com Santa Catarina e Paraná, estados que também adotam pisos regionais. Entre 2019 e 2025, os reajustes acumulados foram de 61,11% em Santa Catarina e 49,40% no Paraná. No mesmo período, o Rio Grande do Sul soma 44,63%, considerando o reajuste aplicado em maio de 2025.

No caso paranaense, foi destacado que o estado já firmou acordo para 2026 por meio de composição tripartite no Conselho Estadual de Trabalho, Emprego e Renda. O reajuste do Grupo 1 foi de 6,12%, e o Paraná passou a registrar o maior salário mínimo regional inicial do país, fixado em R$ 2.105,34.

Piso regional como referência para negociações

Para o presidente da CTB-RS, Rodrigo Callais, o salário mínimo regional tem papel estratégico na distribuição de renda e na valorização do trabalho. Ele afirmou, durante o debate, que o percentual de 15,98% proposto pelas centrais busca recompor o poder de compra do piso, que, quando foi instituído em 2001, equivalia a 1,28 do salário mínimo nacional.

Callais também ressaltou que o piso regional não beneficia apenas os trabalhadores diretamente vinculados a ele, mas serve de referência para negociações coletivas de diversas categorias profissionais. “O salário mínimo regional influencia acordos e convenções coletivas e acaba repercutindo positivamente para um conjunto maior de trabalhadores”, avaliou.

Com a realização da primeira rodada, as negociações seguem nas próximas semanas, mantendo no centro do debate a construção de uma política permanente de valorização do trabalho no Rio Grande do Sul, associada ao crescimento econômico, à geração de empregos e à preservação do poder de compra das famílias gaúchas.