Democracia, MP-905 e Reforma Sindical foram os temas levados pelos dirigentes sindicais para a audiência com o Senador Paulo Paim na manhã desta quinta-feira, 27 de fevereiro.

O encontro, solicitado pela Fecosul, foi realizado no gabinete do senador instalado em Canoas, cidade da região metropolitana de Porto Alegre contou com a participação de sindicatos de Caxias do Sul, Viamão, São Leopoldo, Porto Alegre, Taquara, Montenegro , Taquari, SINDESC e SINTRATEL.

Guiomar Vidor, presidente Estadual da CTB e da Fecosul, manifestou profunda preocupação com o cenário político ante o apoio explícito do Presidente Jair Bolsonaro aos atos marcados para 15 de março que atentam contra a democracia, o estado de direito e instituições como o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal que, junto com o poder executivo, são os pilares da república.

No tocante à MP-905 que estabelece o contrato de trabalho verde amarelo, altera a jornada de trabalho, libera o trabalho aos domingos e feriados e que elimina tantos outros direitos, tende a fragilizar ainda mais as relações de trabalho. Vidor destaca que a retirada de direitos é pauta permanente deste governo, em que pese os ataques que desfere contra as instituições. É surpreendente que este governo ainda consiga manter uma ampla maioria parlamentar que lhe dá o suporte necessário para levar adiante estes verdadeiros crimes contra a classe trabalhadora.

Outro ponto, destacado pelo Presidente da FECOSUL é reforma Sindical que está sendo discutida no âmbito do Congresso nacional. Guiomar Vidor diz que se for aprovada a quebra a unicidade sindical, juntamente com outras medidas propostas, ocorrerá um esvaziamento ainda maior nas atribuições das representações sindicais decretando, em pouco tempo, a falência completa das entidades que já estão muito fragilizadas por conta da reforma trabalhista aprovada ainda no governo Temer e "aperfeiçoada" no governo Bolsonaro.

Em resposta às questões trazidas pela Fecosul e pela CTB, O Senador Paulo Paim avalia o momento político como bastante delicado.
Paim fez um relato da sua atuação parlamentar, principalmente no ambiente das comissões em que atua.

Tendo em vista a experiência adquirida nos sucessivos mandatos de deputado e de senador, conquistou o respeito e a atenção dos adversários e desfruta de bom trânsito entre as diferentes bancadas e segmentos ideológicos, estabelecendo "o bom debate e a boa luta" como ele mesmo define a sua atuação parlamentar.
Em um congresso tão conservador ou retrogrado, e na iminência de grandes derrotas para a classe trabalhadora, o senador trabalha para minimizar os danos. Segundo Paim, "isso não significa que os projetos tenham ficado bons. pelo contrário, eles continuam muito ruins. Apenas amenizamos a desgraça para que ela não seja completa".

O Senador disse que trabalha nesta mesma linha em relação à MP-905, revelou que a proposta já possui em torno de duas mil emendas e que ele, Paim, já apresentou mais de 60 emendas. Por ações e articulações feitas pelo senador, já foram retiradas do relatório as 13 categorias ameaçadas de perder o registro profissional. Paim adianta que a MP-905 será votada até quarta-feira da semana que vem e que é fundamental a pressão dos trabalhadores junto aos parlamentares em Brasilia e em suas bases.

Em relação à reforma sindical, Paim reconhece que o tema é totalmente inadequado e que trabalhará muito para adiar e ampliar esta discussão. Proporá audiências públicas, fará articulações junto às bancadas de oposição para obstruir as votações e apresentará emendas e proposições que possam "desidratar" este projeto que considera danoso para o movimento sindical. Conclamou aos presentes que se esforcem, apoiem e participem como candidatos nas eleições municipais deste ano.

Ao final do encontro, Guiomar Vidor agradeceu ao Senador Paim pelo seu empenho e enorme trabalho em defesa da classe trabalhadora. Destacou que a CTB e a Fecosul estão comprometidas na formação e consolidação de uma Frente Ampla, nos moldes em que foi sugerida pelo senador, que não se esgote nestas eleições de 2020 mas, que sirva de instrumento para a construção de uma unidade duradoura que permita nas futuras eleições elegermos um congresso comprometido com os trabalhadores.