A CTB, a CGTB e as centrais sindicais realizaram um ato em defesa do reajuste do Salário Mínimo do RS, o Piso Regional, nesta quinta-feira, 05 de agosto, na Assembleia Legislativa. O presidente da casa, deputado Gabriel Sousa (MDB), recebeu os dirigentes sindicais e comprometeu-se em criar uma mesa de diálogo e negociação para sanar o impasse dos dois anos sem reajuste.

Mesa de negociação

Sousa ouviu das centrais que é inaceitável a proposta do governo de apenas 2,75% de reajuste, e que é urgente debater o tema com as partes envolvidas: trabalhadores, empresários, governo do RS e legislativo. O presidente da AL concordou com a tese e irá promover esse diálogo nos próximos dias. As centrais cobram reajuste de 10,3%  o que corresponde à variação do INPC em 2019 e 2020.

"É muita falta de sensibilidade do governador Leite jogar o peso da crise sobre os ombros das famílias dos trabalhadores e trabalhadoras gaúchos ao propor um índice tão rebaixado para o Piso Regional, de apenas 2,75%. Isto diante de uma inflação que aumentou em 32,5% a cesta básica nos últimos dois anos", alertou o presidente da CTB RS, Guiomar Vidor. Para ele, a política de achatamento do Piso tende a acabar com o papel desse dispositivo fundamental para o desenvolvimento com distribuição de renda no RS.

O Piso Regional está sem reajuste há dois anos e meio, desde 1º de fevereiro de 2019, prejudicando cerca de 1,5 milhão de gaúchos e gaúchas.


Reajustes em Santa Catarina e no Paraná

Contrariando os argumentos dos empresários, que dizem que o Piso Regional prejudicaria a competitividade e geraria desemprego, os outros dois estados da região sul, Santa Catarina e Paraná, também possuem o piso regional. Os vizinhos reajustaram os respectivos mínimos regionais em 2020 e 2021, em 10,62% e 12,29%, respectivamente.

Segundo o Dieese, esses dois estados registraram variações menores na taxa de desemprego (Paraná +0,4 ponto percentual.) ou até queda da taxa de desemprego (Santa Catarina -1,0 ponto percentual) entre o 1º trimestre de 2019 e o 1º trimestre de 2021 em comparação ao Rio Grande do Sul (+1,2% ponto percentual).

"Queremos diálogo já"

Para Vidor, foi muito importante o compromisso assumido pelo presidente da AL de criar a mesa de negociação para resolver o impasse do reajuste. "Queremos diálogo já, porque o governador só ouviu os empresários. Os trabalhadores e as trabalhadoras precisam ser ouvidos e atendidos, pois vivem hoje uma situação de dificuldades. Não bastasse arriscarem a saúde e a vida todos os dias na pandemia, e a perda de familiares e amigos para a doença, amargam a corrosão da sua renda com a perda do poder de compra dos salários", concluiu.