De acordo com os organizadores, ato critica ações do governo federal e ainda ensaia para uma greve geral

Desde o começo da manhã de ontem milhares de pessoas estiveram mobilizadas em todo o país no Dia Nacional de Paralisação contra as Reformas da Previdência e Trabalhista. A paralisação foi chamada por centrais sindicais, entidades e movimentos sociais com o objetivo de alertar a população sobre as mudanças propostas pelo governo do presidente Michel Temer e tentar impedir a aprovação dos projetos que tramitam no Congresso Nacional sobre os temas. Em Porto Alegre, diversos atos foram registrados no decorrer do dia.

Os protestos se encerraram com uma grande mobilização que teve início na Esquina Democrática e terminou no Largo Zumbi dos Palmares após passeata que reuniu milhares de pessoas na região Central da cidade. Entre as alterações previstas na Reforma da Previdência estão a exigência de idade mínima de 65 anos para aposentadoria de homens e mulheres e a necessidade de 49 anos de contribuição para ter direito à aposentadoria integral.

Na Reforma Trabalhista, as medidas propostas modificam as regras da CLT, o que tem provocado preocupação e repúdio à matéria. “Foi um dia duro de combate, mas a nossa classe trabalhadora soube tirar da clandestinidade esse brutal ataque aos direitos trabalhistas”, afirmou o presidente da Central Única dos Trabalhadores no RS (CUT/RS) Claudir Nespolo. Ele destacou que foram realizados 23 atos no interior no Estado durante o dia com a paralisação de 12 categorias. “Nossos inimigos são poderosos, e os interesses são grandes. Precisamos manter a nossa união”, destacou.

A presidente do Cpers-Sindicado Helenir Aguiar Schürer, observou que as reformas ferem também o direito dos jovens e adolescentes, o que provoca uma preocupação ainda maior. “Para o professor se aposentar com 65 anos ele vai ter que começar a trabalhar com 16 anos e isso é muito duro, principalmente para os nossos jovens. O lugar deles é na escola e não em postos de trabalho”, ponderou.

O presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil no RS (CTB-RS) Guiomar Vidor, observou que as mobilizações foram um incentivo para uma grande greve geral que ainda deve ser realizada até abril no país. “O que estamos fazendo é uma resposta da sociedade brasileira a essas propostas que representam um retrocesso para o país, a partir da retirada de direitos já conquistados”, disse. Vidor salientou, ainda, que no dia 24 deste mês será realizada uma audiência pública, a partir das 9h, na Assembleia Legislativa do Estado, para debater as Reformas da Previdência e Trabalhista.

Servidores da saúde vão às ruas

Protestos mobilizaram também os servidores da saúde em dois hospitais e em uma unidade de saúde de Porto Alegre. Os atos foram realizados em frente ao HPS, ao Hospital Materno Infantil Presidente Vargas e ao Pronto Atendimento da Vila Bom Jesus. O presidente da Associação dos Servidores do Hospital de Pronto Socorro, Everaldo Nunes, disse que a reforma da Previdência é um desrespeito com o trabalhador. “Se alguém mexeu no dinheiro da Previdência não foram os trabalhadores”.

A manifestação contou com diversos profissionais da saúde, mas a organização do protesto informou que o atendimento ao público não foi interrompido. Outra manifestação foi realizada por integrantes da CTB-RS na avenida Mauá na Capital. Os sindicalistas fizeram bandeiraço, mas não bloquearam o trânsito. Nos bancos, também houve piquetes em diversas agências. O ex-governador Olívio Dutra participou de uma panfletagem.

Professores paralisam

Dentro do movimento contra a Reforma da Previdência, os professores da rede estadual deram início ontem a uma paralisação, por tempo indeterminado, no Rio Grande do Sul. Na Capital, algumas escolas não tiveram aula, por exemplo, o Colégio Estadual Júlio de Castilhos, o Julinho, e a Escola Estadual Olintho de Oliveira. O colégio estadual Paula Soares, no Centro, teve aula normal, porém com a ausência de alguns professores. A greve foi deflagrada na semana passada pelo Sindicato dos Professores do RS (Cpers). Entre outras reivindicações está a proposta de alteração da Previdência apresentada pelo governo federal e a questão do piso salarial.

À tarde, houve concentração de professores ligados ao Cpers em frente ao Palácio Piratini. Alguns professores inclusive fizeram visitas aos gabinetes dos deputados na Assembleia. A Secretaria Estadual de Educação, por meio de nota, reforçou a confiança de que os professores permanecerão em sala de aula. Segundo a responsável pela 1ª Coordenadoria de Educação, Maria Luiza de Moraes, a maioria das escolas da região de Porto Alegre tinha receio em relação ao impacto da paralisação geral, que poderia afetar o transporte público e a segurança. Ela adiantou que foi solicitado aos diretores de escolas um avaliação da adesão. “No momento, o que temos são casos pontuais de professores que vão aderir à greve. Mas com certeza será menor do que foi hoje (ontem)”, resumiu.

Fonte: Correio do Povo