Um olhar mais acurado sobre os resultados da eleição presidencial deste ano mostra que o candidato vencedor teve 39,2% dos votos totais, como mostra o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Já Fernando Haddad teve 31,9%. Os votos nulos, brancos e abstenções somados foram 28,8%, um terço do eleitorado.

“É muito importante nos atentarmos bem para esses dados porque os números mostram que temos muito trabalho pela frente para dialogarmos com essas pessoas que invalidaram seu voto”, diz Ivânia Pereira, vice-presidenta da CTB.

“Já iniciamos a organização de uma Frente Ampla das forças democráticas para enfrentar a onda de fascismo com a qual Bolsonaro ameaça o país”, complementa. “Somente juntos poderemos fazer uma oposição eficaz e nos aproximar dessa grande parcela da população que se negou a votar”.

O número de votos nulos é o maior desde a primeira eleição para presidente depois do golpe de 1964. Em 1989, 4,42% anularam o voto e 1,4% votaram em branco, se abstiveram 14,4%. Já em 2014, 4,63% dos eleitores preferiram anular o voto, 1,71% votaram em branco e 21,1% não votaram.

“Pelos números vê-se uma crescente apatia pela participação política”, diz Vânia Marques Pinto, secretária de Políticas Sociais da CTB. “Cabe agora ao movimento sindical, movimentos sociais e aos partidos políticos atraírem essas pessoas para a defesa da democracia, dos direitos trabalhistas, da justiça e dos direitos humanos”.

Já Celina Arêas, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB, afirma que a população está querendo mudança, mas o “golpe de 2016 turvou as visões porque parte do Judiciário juntamente com os barões da mídia e setores fundamentalistas religiosos vêm massificando o ódio e a não política”, diz. “A luta foi muito desigual”.

Ronaldo Leite, secretário de Formação e Cultura da CTB, concorda com Celina e reafirma a necessidade de uma “ampla mobilização de todos os setores progressistas para salvar o país do entreguismo”. Para ele, “o resultado eleitoral mostra esse caminho e não podemos fugir dos trilhos da história. A resistência democrática é o nosso lema. Vamos todos e todas somar forças e impedir mais retrocessos”.

Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB. Foto: Guilherme Santos/Sul 21