Nos principais jornais do Rio Grande do Sul, as manchetes são otimistas com relação ao crescimento do setor do comércio no Estado. No Jornal do Comércio e na Zero Hora, por exemplo, é possível ler chamadas como “Fecomércio vê retomada da economia em 2017”; “Para Fecomércio-RS, pior da crise já foi superado”; “Setor de supermercados encerra semestre em alta”; “Lojas Renner tem lucro de R$ 193,6 milhões no 2º trimestre, alta de 10,7%”; “Panvel confirma projeção de abertura de 50 lojas em 2017”.



Os textos que acompanham os títulos destacados acima são unânimes em apontar rumos positivos para o setor e, alguns deles, ainda arriscam dizer que a crise chegou ao fim. Esse movimento positivo também pode ser observado em outros setores da economia, como o da indústria e da agricultura.

Onde não se percebe o discurso propagado na grande mídia pelos empresários e as entidades que os representam é nas mesas de negociação entre patrões e sindicatos dos empregados no comércio do RS. Nelas, os empresários, por meio do discurso da crise, propõem reajustes baixos, a retirada de direitos e a redução de cláusulas sociais, como vale-alimentação e auxílio-estudante.

Para Guiomar Vidor, presidente da Fecosul, os empresários deveriam sustentar o que divulgam na mídia e, frente a esse cenário positivo, valorizar o trabalhador. “O momento positivo que eles mesmos estão anunciando tem que balizar as negociações e garantir para os trabalhadores do comércio um reajuste melhor, pois insistimos sempre, o trabalhador é que faz a roda da economia girar, é ele que garante o desenvolvimento do nosso Estado. Aumentar o salário de um empregado, é aumentar o seu poder de compra”, aponta Vidor.

Em Caxias do Sul, o Sindicomerciários da região, filiado à Fecosul, no mês de julho, sentou para negociar o reajuste dos trabalhadores em mercados da cidade. Os patrões ofereceram 2,56% e R$ 1.190,00 no piso. A proposta foi recusada pelo sindicato, pois o valor contempla apenas um reajuste com base na inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) e é abaixo do valor fixado no Mínimo Regional. O presidente do sindicato, Silvio Frasson, tachou a proposta de inaceitável.

O caso de Caxias do Sul é um entre tantos outros. “Sem valorizar o trabalhador e o seu poder de compra, nosso Estado não vai superar a crise e nossa economia não voltará a crescer. A distribuição de renda é um dos principais fatores de consumo e aquecimento da economia. E uma das formas de distribuir renda é valorizar os ganhos do trabalhador”, finaliza Vidor.

Texto: Juliana Figueiró Ramiro | Assessoria de Comunicação Fecosul