O evento, realizado por três anos consecutivos pelo Sindicomerciários de Lajeado, contou com painéis sobre os números do comércio local, as perspectivas econômicas de 2017 e a Reforma da Previdência.

Com a participação da imprensa local, de comerciários e de dirigentes sindicais de todo o Estado, o Café com Informação aconteceu na manhã desta terça-feira, 14, na cidade de Estrela. A atividade teve início às 8h da manhã, com um pequeno ato de abertura, que contou com as falas do presidente do Sindicomerciários de Lajeado, Marco Daniel Rockenbach, e do vice-presidente da Fecosul, Rogério Reis. E, num segundo momento, três painelistas - Ricardo Franzoi e Daniela Sandi, do Dieese e o advogado Daisson Portanova.

O vice-presidente da Fecosul, Rogério Reis, destacou a importância de momentos informativos para fundamentar a luta dos trabalhadores. “Além da nossa campanha salarial, precisamos combater a Reforma da Previdência, a Trabalhista e o ataque às contribuições sindicais. Nossa caminhada será muito difícil e só com informação e mobilização vamos conseguir informar nossa categoria e sair vitoriosos”, salientou o vice-presidente.

O presidente do Sindicomerciários de Lajeado agradeceu a presença de todos e reforçou a importância da mídia local no processo de conscientização da população sobre as reformas do governo Temer e a pauta de resistência. “É no corpo a corpo com a categoria, como costumamos dizer, que vamos conseguir transmitir a nossa versão da Reforma da Previdência proposta pelo governo e passar as informações sobre a nossa campanha salarial, mas a mídia pode potencializar e contribuir muito neste processo de divulgação”, reafirmou.

Negociações salariais em 2017

Ricardo Franzoi, supervisor técnico do Dieese - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, apresentou projeções e o cenário econômico que se coloca nas negociações salariais em 2017, destacando, principalmente, a inflação. “Em comparação ao ano passado, podemos dizer que estamos com uma inflação baixa. Mas não avalio essa queda como ruim para as negociações. Uma inflação baixa nos ajuda a mostrar que o salário no Brasil é muito baixo. Nas negociações, se estivermos discutindo um reajuste de 5%, estaremos falando, em um aumento de R$ 44 mensal, para um trabalhador que ganha um salário mínimo, hoje em R$ 880. Isso é nada”, apontou.


O economista, que vê a inflação baixa como uma oportunidade de denúncia, destaca que salário baixo é poder de compra baixo. E isso, finaliza ele, enfraquece a economia.


Os dados do comércio da Região dos Vales foram apresentados pela também economista do Dieese, Daniela Sandi, que ressaltou o significativo crescimento do setor nos últimos anos e que, embora nos últimos dois anos esse crescimento venha em queda, o comércio acumulou muitos ganhos. A economista ainda destaca que um argumento para ser usado nas mesas de negociação com a classe patronal, é o de que muitos preços, como as mensalidades escolares, foram reajustados em outubro e novembro de 2016, tendo como base o INPC daqueles meses, que foi praticamente o dobro do índice que se tem em março de 2017. Isto é, o reajuste nos preços foi feito com um índice que é duas vezes o índice que a classe patronal possivelmente irá propor para balizar o reajuste dos salários neste ano, sem ganho real.

Reforma da Previdência

O advogado Daisson Portanova iniciou a sua fala destacando que muitos presidentes brasileiros, ao longo da história, apontaram a necessidade de realizar reformas na Previdência Social e o fizeram. “Se perguntarem para mim se eu acho que a Previdência precisa de “reformas”, responderia que sim. E todos os presidentes brasileiros fizeram adaptações, mas o que Temer propõe é algo radical e profundo, que acaba com muitos direitos dos trabalhadores. Se aprovada, a reforma causará um prejuízo social muito grande para o país”, destacou o advogado.


Portanova trouxe inúmeros aspectos sobre as mudanças, mas destacou quatro itens: a idade mínima para se aposentar, que será de 65 anos; a não diferenciação de gênero da idade mínima, como se vivêssemos em um sistema de igualdade entre homens e mulheres; a eliminação da aposentadoria especial de professores e demais servidores públicos; e a diminuição dos postos de trabalho para as novas gerações, uma das principais consequências econômicas da reforma.

Por fim, o advogado destacou a importância de o movimento sindical protagonizar a luta contra às Reformas, e utilizar não só a pressão política e social, mas a justiça.

Texto: Juliana Ramiro – Assessoria de Comunicação da Fecosul