Representantes do Fórum das Centrais Sindicais se reuniram, na manhã desta terça-feira (23/07), com o Senador Paulo Paim (PT/RS). Na pauta, a PEC 06/2019, que modifica radicalmente todo o sistema previdenciário e que restringe o direito à aposentadoria, na medida em que aumenta o tempo de contribuição, estabelece idade mínima e altera a fórmula de cálculo do benefício, prejudicando os trabalhadores e trabalhadoras mais pobres. Além disso, ainda mantém os privilégios das classes mais abastadas como a dos militares, dos policiais federais, do judiciário e dos políticos.

A CTB/RS foi representada pelo seu vice-presidente estadual, Sérgio de Miranda, que também é dirigente da FETAG e membro da direção Nacional da CTB. Participaram da reunião também, pela CTB, Edson Costa Marques, da FITEDECA, Marcionil Rodrigues Martins e Rodrigo Callais, do Sindicato dos Empregados no Comércio Hoteleiro de Gramado, e Haroldo Britto (Kiko), da assessoria sindical da CTB/RS.
Após o relato das Centrais Sindicais sobre as ações realizadas no último período e a exposição da atual agenda de resistência que reúne trabalhadores, estudantes, professores, partidos e movimentos sociais, o Senador Paim fez muitos elogios à realização destas atividades de maneira unificada.
Segundo Paim, a leve “desidratação” desta reforma, se deve à reação negativa da sociedade, em parte despertada pelas ações realizadas pelo Movimento Sindical que foi às ruas coletar listas de assinaturas contra a proposta, a greve geral do dia 14, que foi duramente reprimida pela polícia em todo o país, além dos movimentos em defesa da educação e das universidades públicas, que também se uniram em defesa da Previdência e das aposentadorias. O texto da PEC 06/2019, que ainda passará por votação em segundo turno na Câmara dos Deputados antes de seguir para o Senado, continua muito ruim, ainda que alguns pontos tenham sido retirados da proposta original, como a redução do valor pago no BPC, a exclusão dos trabalhadores rurais e a implantação do sistema de capitalização.

O Senador reafirmou a necessidade de mantermos o movimento de luta e resistência nas ruas. Haverá duros enfrentamentos no Senado, sendo possível amenizar alguns pontos que não são consenso nem mesmo dentro da base do governo. “Neste momento, é fundamental que o Senado não abra mão de suas prerrogativas e que se comporte como órgão revisor e não como um mero “carimbador” das proposições que chegam da Câmara dos Deputados”, destacou Paim.

Avançando sobre outros temas, Paim revelou que há um verdadeiro estoque de maldades e retrocessos contra a classe trabalhadora tramitando nas duas Casas do Congresso, como a MP da Liberdade Econômica e a Reforma Sindical.

Para que se seja possível enfrentar todas estas situações e termos a expectativa de reverter estas tragédias, é fundamental que o movimento sindical faça com que a classe trabalhadora se envolva e discuta sobre política. É preciso dizer aos trabalhadores e trabalhadoras que todos os direitos conquistados, assim como todas as perdas dos últimos anos, são resultado de ações políticas. Na mesma esteira, Paim prega que esta unidade das Centrais avance para os partidos políticos e que façamos o máximo esforço para concretizarmos uma frente verdadeiramente ampla, para as eleições de 2020 e 2022. Segundo Paim, não há outro caminho possível para enfrentar tamanha onda de retrocessos.