Foi divulgado nesta terça-feira (5),o Atlas da Violência 2018, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). “É triste notar que a violência cresce assustadoramente no país”, diz Ivânia Pereira, vice-presidenta da CTB.

Ela afirma isso porque em 2016 ocorreram 62.517 homicídios no país, de acordo com o levantamento são 30,3 mortes violentas por 100 mil habitantes, a maior taxa já registrada no Brasil. E para piorar, o estudo constatou que 56,5% dos assassinatos envolvem jovens entre 15 e 29 anos.

“Os dados mostram que a ausência de políticas públicas para atender jovens, mulheres e negros só faz agravar ainda mais a situação”, realça Ivânia. “A sociedade precisa dar uma resposta contundente. Vivemos uma guerra dentro do país”.

Foram assassinados 33.590 jovens em 2016, um aumento de 7,4% em relação a 2015, a maioria absoluta de rapazes pretos, pobres, da periferia. “Essa notícia preocupa muito porque houve esse crescimento já que em 2015 houve uma queda de 3,6% sobre 2014”, assinala.

Entre o total de assassinatos, 71,5% das vítimas eram negras ou pardas. Ou seja, a população negra tem 2,5 vezes de chances de serem mortas em relação à população branca (40,2 negros por 100 mil habitantes contra 16 brancos por 100 mil).

“Cada vez mais o racismo institucional se revela perverso”, acentua Mônica Custódio, secretária de Igualdade Racial da CTB. “Parece que as políticas afirmativas acirraram ainda mais os ânimos dos racistas, que se sentem ameaçados com a presença de negras e negros nas universidades, no mercado de trabalho, enfim em lugares onde não era habitual ver-se negros”.

Além do mais, houve crescimento de 6,4% de feminicídios nos dez anos pesquisados. Somente em 2016, foram mortas 4.645 mulheres, um acréscimo de 15,3% sobre 2015. No mesmo ano, as polícias brasileiras registraram 49.497 estupros no país, sendo que 50,9% das vítimas tinham menos de 13 anos.

Já Celina Arêas, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB, reforça os argumentos de Ivânia e de Mônica. Para ela, é necessário “retomar as políticas públicas para atendimento às mulheres vítimas de violência”. Ela defende ainda a manutenção e aprimoramento dos programas sociais que “possibilitam uma situação de vida melhor para as mulheres e suas famílias”.


A sindicalista mineira defende ainda o debate sobre as questões de gênero esteja presente nas escolas para que as pessoas “possam compreender melhor as diferenças entre os sexos, respeitar as diferenças e saber que todas as pessoas devem ter as mesmas condições de vida, sem medo e em segurança”.

A polícia também mata muito no país. As polícias dos estados mataram 4.222 pessoas em 2016, segundo o Atlas da Violência 2018. Em primeiro lugar está o Rio de Janeiro, onde a polícia matou 538 pessoas, quase o dobro de 2015 (281).

“Precisamos envolver toda a sociedade no debate sobre o combate à violência para derrubarmos esses números aviltantes. Países em guerra não matam tanto quando no Brasil. É assustador”, conclui Ivânia.

Fonte: Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB