O governo Temer intensifica campanha sórdida e enganosa, que já custou mais de R$ 120 milhões aos cofres públicos, para tentar passar a reforma da previdência "a toque de caixa". Como cartada final, Temer agora se coloca a frente do processo, participando de teatros de terror, ensaiados com apresentadores de TV, como Silvio Santos, Ratinho e outros. Tudo isso para meter medo nos futuros e atuais aposentados, condicionando o pagamento das futuras aposentadorias à reforma, e, ainda, intimidando deputados que não estão dispostos a cometer mais esse crime contra a sociedade.

A CPI do Senado, cujo relatório foi aprovado por unanimidade, provou que não existe déficit. Segundo a Unafisco (Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal), em 2015 o investimento na previdência foi de R$ 631,1 bilhões, enquanto as receitas da seguridade foram de R$ 707,1 bi. Saldo: R$ 24 bilhões. Porém, o governo desvia os recursos para outras áreas, por meio da DRU (Desregulamentação das Receitas da União) e não cumpre o que diz a Constituição a respeito do sistema previdenciário.

Soma-se a isso o fato de que pela MP-795, aprovada no Congresso, o governo Temer abre mão de receber R$ 980 bi, em 23 anos, do setor do petróleo e gás. Ainda deixa de cobrar de empresas e bancos mais de 115 bilhões/ano em fraudes e sonegações. Se precisa economizar, porque abre mão de receitas tão significativas?

O governo diz que vai combater privilégios com a reforma da previdência. Outra mentira. Militares, deputados e senadores não foram incluídos na reforma. Só o trabalhador comum.

Não podemos aceitar a reforma sendo imposta com base na compra de votos no Congresso e sem debate e transparência. Podemos, sim, debater ajustes, mas para isso é preciso abrir a "caixa-preta" dos recursos da previdência.

Vamos resistir! E se botar para votar, o Brasil vai parar.

*Guiomar Vidor - Presidente da FECOSUL e CTB/RS