Em manifesto escrito pelo Prêmio Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel, mais de 40 personalidades da comunidade internacional consideram que a Ação militar da Rússia sobre a Ucrânia não pode ser entendida sem ser contextualizada na guerra que o governo pró-ocidental da Ucrânia vem sustentando desde 2014 contra a população pró-russa de Donbass, onde já mataram 14 mil pessoas e destacam por sua crueldade os grupos paramilitares neonazistas armados e instigados pela OTAN e os Estados Unidos.

“O empenho dos Estados Unidos de expandir a OTAN até as fronteiras da Federação Russa acompanhado da entrega de moderno armamento a Ucrânia, constitui o fato de consumação de um cerco militar progressivo que nenhum Estado pode aceitar de braços cruzados”, afirmam elas no manifesto em que explicam que a guerra na Ucrânia é uma expressão do processo de decomposição do capitalismo, defendem que retomar os acordos de Minsk pode ser o caminho mais apto para restabelecer o diálogo entre as partes do conflito.

Conheça a íntegra do manifesto.

“A guerra na Ucrânia é uma expressão (certamente, a única) do processo de decomposição do capitalismo em sua etapa neoliberal, pois enquanto os meios dominantes põem foco no Leste Europeu, os israelenses atacaram Síria e Cisjordânia, o que custou novas vidas e centenas de feridos palestinos, e o Pentágono acaba de bombardear a Somália. Contudo, parece que somente a Ucrânia viu ser violado o seu direito à autodeterminação.

Mas ao mesmo tempo, é evidente que com contradições, avanços e retrocessos a humanidade ingressa em uma nova ordem multipolar, não sem a resistência daquele que durante mais de um século tem sido a maior potência do planeta, o que explica as convulsões econômicas, políticas e militares e hoje se vê posta em xeque pela China.

A Ação militar da Rússia sobre a Ucrânia não pode ser entendida sem ser contextualizada na guerra que o governo pró-ocidental da Ucrânia vem sustentando desde 2014 contra a população pró-russa de Donbass, onde já mataram 14 mil pessoas e destacam por sua crueldade os grupos paramilitares neonazistas armados e instigados pela OTAN e os Estados Unidos. Esses ataques violam os acordos de Minsk de 2015.

O empenho dos Estados Unidos de expandir a OTAN até as fronteiras da Federação Russa acompanhado da entrega de moderno armamento a Ucrânia, constitui o fato de consumação de um cerco militar progressivo que nenhum Estado pode aceitar de braços cruzados.

Uma verdadeira campanha de desinformação e a tentação de censurar e calar toda voz dissidente da versão hegemônica pró-OTAN e pró-EUA, desnudam a vocação antidemocrática dos porta-vozes do grande capital.

A conquista de uma paz duradoura, que, com moderado otimismo, entendemos viável, não pode ter êxito às custas da segurança de nenhum Estado membro da comunidade internacional. Retomar os acordos de Minsk pode ser o caminho mais apto para restabelecer o diálogo entre as partes do conflito.

A batalha de fundo, que a classe trabalhadora e os povos devemos fortalecer é a luta por uma ordem alternativa ao capitalismo, sem exploração e de cooperação entre os povos, desmercantilizada e solidária, respeitando a natureza e a vida.  

Adolfo Pérez Esquivel, prêmio Nobel da Paz. Argentina.

Piedad Córdoba, defensora dos Direitos humanos. Colombia.

Atilio Boron, analista internacional. Argentina.

Alejandro Rusconi, Secretário de Relações Internacionais do Movimento Evita. Argentina.

Saúl Ortega, deputado federal pelo PSUV. Venezuela.

Stella calloni, jornalista e escritora. Argentina.

Sandra Russo, jornalista e escritora. Argentina.

Jorge Kreynnes, secretário de Relações Internacionais do Partido Comunista Argentino. Argentina.

Luisa Valenzuela, escritora. Argentina.

Nidia Diaz, Negociadora e assinante da Paz em El Salvador pelo FMLN.

Luis D’ Elia, presidente de MILES. Argentina.

Jorge Elbaun, sociólogo e jornalista. Argentina.

Roberto Perdía, Argentina.

Carlos Aznarez, director de Resumen Latinoamericano. Argentina.

Julio Gambina, professor universitário. Argentina.

Christiane Barckhausen, escritora, Alemanha.

Lois Pérez Leira, escritor e cineasta. Argentina.

Carlos Lenin Villa Toribio, docente e integrante do Departamento de Trabalho Internacional do Partido del Pueblo de Panamá.

Xavier Moreda, portavoz de Vigo Antifascista. Estado Español.

Dante Alfaro, gremialista docente. Argentina.

Carlos Pronzato, escritor e cineasta. Brasil.

Pascual Manganiello, diretor do “Monitor Global”- TV-Sindical. Argentina.

Pedro Cardoso. Cineasta. Brasil.

Gustavo Maradini, advogado de direitos humanos, España.

Edgar Gutiérrez Cordero, secreetário geral da Federación Nacional de Trabajadores de Plantaciones, Fentrap. Costa Rica.

Norma Guevara ex-deputada do FMLN.

Ricardo Salgado. Partido Libre. Honduras.

Adair Pintos. Jornalista. Bolivia.

Mary Soto, escritora, jornalista e consultora de DDHH. Perú.

Federico Lopardo Corriente Nuestra Patria. Argentina.

Rodolfo Nadra, periodista. Argentina.

Alberto Nadra, escritor e jornalista. Argentina.

Sergio Ortiz. Jornalista. Partido de la Liberación PL. Argentina.

Norberto “Champa” Galiotti, coordenador geral da Red Continental Latinoamericana y Caribeña de Solidaridad con Cuba y las Causas Justas. Argentina.

Francisco Lopez, coordenador de Conversatorios Latinoamericanos Antifascistas. Podemos Latinoamérica.

Ricardo Gadea, escritor e jornalista, Perú.

Tirso W. Saenz, ex Ministro de indústria, Cuba

Norma Guevara, ex deputada do FMLN. El Salvador.

Blanca Flor Bonilla. Ex deputada do Parlacen. FMLN.

Fatima Rallo Gutierrez, Antropóloga, historiadora. Paraguai.

Hector Celano, escritor, poeta, recitador e jornalista cultural.

Edgardo Hernán Cardo, Presidente do Instituto de Investigación y Análisis Geopolítico Alexandre Pétion. Argentina.

Emilio Mendoza Saldaña, lutador social. Perú.

Norberto Fabian Lopez, comissão diretora Industriales Provincia de Buenos Aires.

Gerardo Fernández, organização Evita para la Victoria.

Mario Alderete, coordenador nacional da CONAT(Corriente Nacional “AGUSTÍN TOSCO”), integrante da CTA-T y da FSM.

Enrique Juan Box, jornalista. Argentina.”